Síndrome de Loeffler: Diagnóstico e Agentes Etiológicos

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024

Enunciado

Criança, 5 anos de idade, é levada à Unidade de Pronto Atendimento com tosse seca e fadiga importante há 15 dias. O quadro começou desde que a familia se mudou para a zona rural no interior do estado. Ao exame, criança hipoativa, hidratada, sem esforço respiratório. Nega febre. À ausculta mostra redução de murmúrios vesiculares e alguns crépitos. O hemograma da emergência mostra 12,3 mil leucócitos/mm³ com 57% de neutrófilos e 15% de eosinófilos, Hb: 10,5g/dL; Ht: 33% e plaquetas 220.000/mm³Indique o agente etiológico mais comum envolvido no diagnóstico

Alternativas

Pérola Clínica

Tosse seca + Infiltrado migratório + Eosinofilia = Síndrome de Loeffler (Ascaris lumbricoides).

Resumo-Chave

A Síndrome de Loeffler ocorre pela migração larval de helmintos (Ciclo de Loss) pelos pulmões, gerando uma resposta inflamatória de hipersensibilidade tipo I com eosinofilia marcante.

Contexto Educacional

A Síndrome de Loeffler representa uma forma de eosinofilia pulmonar induzida por parasitas. A fisiopatologia envolve a ingestão de ovos infectantes que eclodem no intestino, liberando larvas que atravessam a mucosa, ganham a circulação portal e atingem os capilares pulmonares. Ao romperem os capilares para alcançar os alvéolos, desencadeiam uma reação imune local mediada por IgE e recrutamento massivo de eosinófilos. O quadro clínico é frequentemente autolimitado, manifestando-se com tosse seca, sibilância, febre baixa e, ocasionalmente, hemoptise leve. O diagnóstico é clínico-laboratorial, baseado na tríade de sintomas respiratórios, infiltrados radiológicos transitórios e eosinofilia sanguínea (frequentemente >10-15%). A confirmação parasitológica por exame de fezes pode ser negativa na fase pulmonar, pois os vermes ainda não atingiram a maturidade sexual no lúmen intestinal.

Perguntas Frequentes

Quais parasitas realizam o Ciclo de Loss?

Os principais agentes etiológicos que realizam o ciclo pulmonar (Ciclo de Loss) e podem causar a Síndrome de Loeffler são o Ascaris lumbricoides (mais comum), Ancylostoma duodenale, Necator americanus e Strongyloides stercoralis. O Toxocara canis também pode causar quadro semelhante (Larva Migrans Visceral).

Como é o achado radiológico típico na Síndrome de Loeffler?

A radiografia de tórax tipicamente revela infiltrados alveolares ou intersticiais, geralmente periféricos, que são descritos como 'fugazes' ou 'migratórios', pois mudam de localização ou desaparecem em poucos dias (geralmente em menos de 2 semanas) sem deixar sequelas.

Qual o tratamento indicado na fase pulmonar da síndrome?

Na fase aguda pulmonar, o tratamento é predominantemente de suporte, com broncodilatadores ou corticoides se houver broncoespasmo grave. O uso de anti-helmínticos (como Albendazol) deve ser postergado até que as larvas completem o ciclo e cheguem ao intestino, pois as drogas têm baixa eficácia contra as larvas no parênquima pulmonar.

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