Parasitoses Pediátricas: Manifestações Pulmonares e Diagnóstico

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2020

Enunciado

Parasitoses intestinais ainda são um grande problema de saúde pública, principalmente nos países em desenvolvimento. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, permanecem, atualmente, entre as doenças mais comuns do globo terrestre. Acerca das situações clínicas envolvendo este tema na faixa etária pediátrica, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) Para uma pré- escolar que apresenta prurido anal e vulvar, predominantemente à noite, o diagnóstico clínico é trichuríase.
  2. B) Se um escolar, até então sem queixas, passar a apresentar subitamente dificuldade respiratória e sibilos, como se estivesse um broncoespasmo e sua radiografia de tórax mostrar infiltrados nodulosos em ambos os hemitóraces, o diagnóstico da infestação por A. Lumbricoides, por A. duodenale ou o S. stercoralis deverá ser considerado.
  3. C) Se o exame de fezes em um escolar assintomático for positivo para Entamoeba hystolitica, será desnecessário tratamento específico.
  4. D) A maioria dos casos de infestação por T. solium são assintomáticos e nunca levam a complicações ou sequelas.
  5. E) Na pediatria as parasitoses intestinais são patologias incomuns, devendo ser diagnósticos mais pesquisados em adultos.

Pérola Clínica

Dificuldade respiratória + sibilos + infiltrados pulmonares + eosinofilia → Síndrome de Loeffler por Ascaris, Ancylostoma ou Strongyloides.

Resumo-Chave

A Síndrome de Loeffler, caracterizada por sintomas respiratórios (tosse, sibilos) e infiltrados pulmonares transitórios, é uma manifestação comum da fase de migração pulmonar de larvas de parasitas como Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenale e Strongyloides stercoralis. A eosinofilia é um achado laboratorial frequente que reforça a suspeita.

Contexto Educacional

As parasitoses intestinais representam um problema de saúde pública significativo, especialmente em países em desenvolvimento, afetando milhões de crianças. Na faixa etária pediátrica, as manifestações clínicas podem ser variadas, indo desde quadros assintomáticos até síndromes graves, e frequentemente envolvem mais do que apenas o trato gastrointestinal. É crucial que o médico pediatra esteja atento às diversas apresentações. A fisiopatologia de muitas parasitoses envolve a migração das larvas através de diferentes órgãos antes de se estabelecerem no intestino. A Síndrome de Loeffler é um exemplo clássico dessa migração pulmonar, onde larvas de Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenale ou Strongyloides stercoralis, ao passarem pelos pulmões, causam uma reação inflamatória caracterizada por tosse, sibilos, dispneia e infiltrados pulmonares eosinofílicos. O diagnóstico diferencial com asma ou bronquiolite é importante, e a presença de eosinofilia periférica deve levantar a suspeita de parasitose. Além das manifestações pulmonares, outras parasitoses têm particularidades importantes. A oxiuríase (Enterobius vermicularis) é conhecida pelo prurido anal noturno. A Entamoeba histolytica, mesmo em portadores assintomáticos, exige tratamento para evitar a disseminação e o desenvolvimento de formas invasivas da doença. Já a Taenia solium é notória pela cisticercose, uma complicação grave que pode afetar o sistema nervoso central. O manejo adequado das parasitoses pediátricas envolve diagnóstico preciso, tratamento específico e medidas de saneamento e higiene para controle da transmissão.

Perguntas Frequentes

Quais parasitas podem causar a Síndrome de Loeffler?

A Síndrome de Loeffler é classicamente associada à migração pulmonar de larvas de helmintos intestinais, como Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenale, Necator americanus e Strongyloides stercoralis. Outros agentes, como Toxocara canis (larva migrans visceral), também podem causá-la.

Como diferenciar a Síndrome de Loeffler de outras causas de broncoespasmo em crianças?

A Síndrome de Loeffler se diferencia pela presença de infiltrados pulmonares transitórios na radiografia de tórax e, frequentemente, eosinofilia periférica, além de uma história epidemiológica de exposição a parasitas. A ausência de resposta a broncodilatadores típicos e a presença de outros sintomas parasitários (gastrointestinais, cutâneos) também podem ajudar.

Qual a importância da Entamoeba histolytica em escolares assintomáticos?

Mesmo em escolares assintomáticos, a presença de Entamoeba histolytica no exame de fezes requer tratamento específico. Embora muitos sejam portadores assintomáticos, eles podem ser fontes de infecção para outros e têm risco de desenvolver doença invasiva (colite amebiana, abscesso hepático amebiano) no futuro.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo