Síndrome de Loeffler: Diagnóstico e Eosinofilia Pulmonar

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Uma criança de 4 anos de idade de uma família numerosa que vive em condições de vulnerabilidade social foi internada com quadro de tosse seca, cansaço e chiado no peito havia quatro dias. História familiar e pessoal negativa para asma ou atopia. A pessoa que a acompanhava negou febre. O exame físico revelou criança desnutrida, dispneica, com sibilância à ausculta pulmonar, abdômen globoso. Foram solicitados radiografia de tórax e hemograma, que demonstraram, respectivamente, infiltrado peri-hilar bilateral e leucócitos (12.000) com eosinófilos igual a 22% (2640).A respeito do diagnóstico dessa criança, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) A criança é portadora da síndrome do bebê chiador.
  2. B) O diagnóstico é de síndrome Loefler.
  3. C) Trata-se de um quadro de bronquiolite obliterante.
  4. D) A criança apresenta um quadro respiratório alérgico.

Pérola Clínica

Criança desnutrida, tosse, chiado, infiltrado pulmonar + eosinofilia → Síndrome de Loeffler (migração parasitária).

Resumo-Chave

A Síndrome de Loeffler é uma condição caracterizada por infiltrados pulmonares transitórios e eosinofilia periférica, frequentemente associada à migração pulmonar de parasitas (como Ascaris lumbricoides). Em crianças de baixa renda e desnutridas, a suspeita de parasitose como causa é muito alta.

Contexto Educacional

A Síndrome de Loeffler, também conhecida como pneumonia eosinofílica simples, é uma condição pulmonar caracterizada pela presença de infiltrados pulmonares transitórios e eosinofilia periférica. É frequentemente benigna e autolimitada, mas sua importância reside na necessidade de identificar a etiologia subjacente, que pode ter implicações significativas para a saúde do paciente. A epidemiologia está fortemente ligada a áreas com alta prevalência de parasitoses intestinais, especialmente em crianças de comunidades com saneamento básico precário e condições de vulnerabilidade social. A fisiopatologia da Síndrome de Loeffler envolve uma resposta imune mediada por eosinófilos à presença de antígenos, mais comumente durante a fase de migração pulmonar de larvas de helmintos como Ascaris lumbricoides, ancilostomídeos e Strongyloides stercoralis. Os sintomas respiratórios, como tosse seca, chiado e dispneia, são inespecíficos, mas a presença de eosinofilia no hemograma (geralmente > 500 células/mm³ ou > 5% dos leucócitos) e infiltrados pulmonares na radiografia de tórax (frequentemente migratórios e bilaterais) são cruciais para o diagnóstico. O abdômen globoso em crianças desnutridas pode sugerir parasitose intestinal. O tratamento da Síndrome de Loeffler é etiológico. Se a causa for parasitária, a administração de anti-helmínticos é o pilar da terapia. Em casos de sintomas respiratórios mais intensos, corticosteroides podem ser considerados para aliviar a inflamação. É fundamental educar a família sobre higiene e saneamento para prevenir reinfecções. O prognóstico é geralmente excelente, com resolução espontânea dos sintomas e infiltrados em poucas semanas, mas o acompanhamento é importante para garantir a erradicação do parasita e a recuperação nutricional da criança.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas da Síndrome de Loeffler?

A Síndrome de Loeffler é mais comumente causada pela migração pulmonar de larvas de helmintos, como Ascaris lumbricoides, Strongyloides stercoralis e ancilostomídeos. Outras causas incluem reações a medicamentos, infecções fúngicas e doenças autoimunes, embora sejam menos frequentes.

Como a Síndrome de Loeffler é diagnosticada?

O diagnóstico é baseado na tríade clínica de sintomas respiratórios (tosse, chiado), achados radiográficos (infiltrados pulmonares transitórios) e eosinofilia periférica. A confirmação etiológica pode envolver a pesquisa de ovos ou larvas nas fezes, ou testes sorológicos para parasitas específicos.

Qual o tratamento para a Síndrome de Loeffler?

O tratamento da Síndrome de Loeffler é direcionado à causa subjacente. Se for de origem parasitária, o uso de anti-helmínticos como albendazol ou mebendazol é indicado. Em casos graves ou com sintomas intensos, corticosteroides podem ser utilizados para controlar a inflamação pulmonar, embora a condição seja geralmente autolimitada.

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