Síndrome de Lise Tumoral: Critérios de Cairo e Bishop Explicados

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Paciente 70 anos com neoplasia de cólon metastática. Realizou quimioterapia há 2 semanas esquema FOLFOX-4. Hoje apresentou-se no departamento de emergência oligúrico com creatinina sérica de 9.0mg/dL e Ureia de 300mg/dL. Foi elaborada a hipótese de síndrome de lise tumoral. De acordo com os critérios de Cairo e Bishop, das alternativas abaixo, todas são critérios diagnósticos, exceto:

Alternativas

  1. A) Hiperfosfatemia (Fósforo > 4,5)
  2. B) Hipercalcemia (Cálcio > 10)
  3. C) Hipercalemia (K> 6)
  4. D) Hiperuricemia (Ácido úrico > 8)
  5. E) Nenhuma das anteriores

Pérola Clínica

Síndrome de Lise Tumoral (Cairo e Bishop) = hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e HIPOCALCEMIA.

Resumo-Chave

A Síndrome de Lise Tumoral é uma emergência oncológica caracterizada pela rápida destruição de células tumorais, liberando seu conteúdo intracelular. Os critérios de Cairo e Bishop incluem hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia, sendo a hipercalcemia o critério INCORRETO.

Contexto Educacional

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica que resulta da rápida destruição de um grande número de células tumorais, liberando seu conteúdo intracelular na corrente sanguínea. É mais comum após o início da quimioterapia em tumores de alta proliferação e grande carga tumoral, como linfomas de Burkitt, leucemias agudas e tumores sólidos metastáticos. A liberação maciça de potássio, fosfato e ácidos nucleicos (que são metabolizados em ácido úrico) leva a distúrbios metabólicos graves. Os critérios de Cairo e Bishop são amplamente utilizados para o diagnóstico e estratificação da SLT, classificando-a em laboratorial ou clínica. Os critérios laboratoriais incluem: hiperuricemia (ácido úrico > 8 mg/dL ou aumento de 25% do basal), hipercalemia (potássio > 6 mEq/L ou aumento de 25% do basal), hiperfosfatemia (fósforo > 4,5 mg/dL ou aumento de 25% do basal) e hipocalcemia (cálcio < 7 mg/dL ou diminuição de 25% do basal). A hipercalcemia não é um critério, sendo a hipocalcemia a alteração esperada devido à precipitação do cálcio com o excesso de fosfato. A SLT clínica é definida pela presença de SLT laboratorial mais uma ou mais das seguintes manifestações: insuficiência renal aguda, arritmias cardíacas, convulsões ou morte súbita. O manejo da SLT envolve hidratação vigorosa para aumentar o fluxo urinário e prevenir a precipitação de cristais, e o uso de agentes hipouricemiantes como alopurinol (para prevenir a formação de ácido úrico) ou rasburicase (para metabolizar o ácido úrico já formado). A correção dos distúrbios eletrolíticos é fundamental, e a diálise pode ser necessária em casos de insuficiência renal grave ou hipercalemia refratária. A prevenção é a melhor abordagem em pacientes de alto risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios laboratoriais da Síndrome de Lise Tumoral (SLT)?

Os principais critérios laboratoriais da SLT, conforme Cairo e Bishop, incluem hiperuricemia (ácido úrico > 8 mg/dL ou aumento de 25% do basal), hipercalemia (potássio > 6 mEq/L ou aumento de 25% do basal), hiperfosfatemia (fósforo > 4,5 mg/dL ou aumento de 25% do basal) e hipocalcemia (cálcio < 7 mg/dL ou diminuição de 25% do basal).

Por que ocorre hipocalcemia na Síndrome de Lise Tumoral?

A hipocalcemia na SLT ocorre devido à liberação massiva de fosfato intracelular das células tumorais lisadas. Esse fosfato se liga ao cálcio sérico, formando precipitados de fosfato de cálcio que se depositam nos tecidos, resultando em uma diminuição dos níveis de cálcio ionizado no sangue.

Qual a importância do diagnóstico precoce da SLT?

O diagnóstico precoce da SLT é crucial para iniciar medidas profiláticas e terapêuticas rapidamente, como hidratação vigorosa e uso de alopurinol ou rasburicase, a fim de prevenir complicações graves como insuficiência renal aguda, arritmias cardíacas e convulsões, que podem ser fatais.

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