SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2020
Paciente de 23 anos com diagnóstico de linfoma de Burkitt com rápido crescimento de massas retroperitoneais iniciará quimioterapia. Prevendo uma complicação potencialmente grave, que incide nos primeiros dias da terapia, deve-se prescrever, a partir do dia anterior à realização do procedimento:
Linfoma de Burkitt + quimioterapia → alto risco de Síndrome de Lise Tumoral (SLT). Prevenção = hidratação + alopurinol.
Pacientes com tumores de alta proliferação e alta carga tumoral, como o linfoma de Burkitt, têm risco elevado de Síndrome de Lise Tumoral (SLT) após o início da quimioterapia. A prevenção é crucial e envolve hidratação vigorosa para aumentar o fluxo urinário e alopurinol para reduzir a formação de ácido úrico, prevenindo a nefropatia por urato.
A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica que ocorre devido à rápida destruição de células tumorais, liberando grandes quantidades de metabólitos intracelulares na corrente sanguínea. É mais comum em tumores de alta proliferação e alta carga tumoral, como o linfoma de Burkitt, leucemias agudas e alguns tumores sólidos. A SLT pode levar a distúrbios metabólicos graves e potencialmente fatais, como hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia, resultando em insuficiência renal aguda, arritmias cardíacas e convulsões. A prevenção é a pedra angular do manejo da SLT, especialmente em pacientes de alto risco. A fisiopatologia envolve a liberação de potássio, fosfato e ácidos nucleicos (que são metabolizados em ácido úrico) pelas células tumorais lisadas. O acúmulo desses metabólitos sobrecarrega os rins e pode levar a precipitação de cristais de ácido úrico e fosfato de cálcio nos túbulos renais. A suspeita deve ser alta em pacientes com tumores de alto risco que iniciarão quimioterapia. A conduta preventiva padrão, iniciada 24-48 horas antes da quimioterapia, inclui hidratação intravenosa vigorosa para manter um alto débito urinário e o uso de alopurinol para inibir a xantina oxidase e reduzir a produção de ácido úrico. Em casos de risco muito elevado ou hiperuricemia já estabelecida, pode-se considerar o uso de rasburicase, uma urato oxidase recombinante que converte o ácido úrico em alantoína, um metabólito mais solúvel. O monitoramento rigoroso dos eletrólitos e da função renal é essencial durante os primeiros dias de tratamento.
Os principais fatores de risco incluem tumores de alta proliferação (como linfoma de Burkitt, leucemias agudas), alta carga tumoral, disfunção renal pré-existente e níveis elevados de ácido úrico ou LDH antes do tratamento.
A hidratação vigorosa aumenta o fluxo urinário, ajudando a excretar os metabólitos liberados. O alopurinol inibe a xantina oxidase, reduzindo a formação de ácido úrico a partir das purinas liberadas pela lise celular, prevenindo a nefropatia por urato.
As manifestações incluem hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia, que podem levar a insuficiência renal aguda, arritmias cardíacas, convulsões e outros distúrbios metabólicos graves.
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