Síndrome de Lise Tumoral: Prevenção em Linfoma de Burkitt

UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2021

Enunciado

Paciente, masculino, 22 anos, sem comorbidades, com diagnóstico de Linfoma de Burkkit, tem indicação de iniciar o tratamento quimioterápico de indução. Não se constitui medida de prevenção a possíveis complicações esperadas que o tratamento oncológico possa gerar:

Alternativas

  1. A) Suspensão de terapia com cálcio
  2. B) Alcalinização da urina para um pH acima de 7,0, mediante administração de bicarbonato de sódio
  3. C) Administração de alopurinol, 300 miligramas por metro quadrado ao dia
  4. D) Administração de hidratação venosa em quantidade mínima de três litros por metro quadrado ao dia
  5. E) Hemodiálise profilática previamente ao início da quimioterapia

Pérola Clínica

Linfoma de Burkitt + Quimioterapia → Prevenir Síndrome de Lise Tumoral com hidratação, alopurinol e alcalinização urinária.

Resumo-Chave

O Linfoma de Burkitt é um tumor de alta proliferação com grande risco de Síndrome de Lise Tumoral (SLT) após quimioterapia. A prevenção da SLT é crucial e envolve hidratação venosa agressiva, uso de alopurinol para reduzir a formação de ácido úrico e, em alguns casos, alcalinização urinária para aumentar a solubilidade do ácido úrico.

Contexto Educacional

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica que ocorre devido à rápida destruição de células tumorais, liberando grandes quantidades de metabólitos intracelulares na circulação. É particularmente comum em tumores de alta proliferação e grande massa, como o Linfoma de Burkitt, após o início da quimioterapia. A SLT pode levar a complicações graves como insuficiência renal aguda, arritmias cardíacas e convulsões, sendo crucial a sua prevenção. A fisiopatologia da SLT envolve a liberação de potássio, fosfato e ácidos nucleicos (que são metabolizados em ácido úrico) das células tumorais. Isso resulta em hipercalemia, hiperfosfatemia, hiperuricemia e, secundariamente, hipocalcemia (devido à precipitação de cálcio com fosfato). O diagnóstico é clínico e laboratorial, e a suspeita deve ser alta em pacientes de risco antes e durante o tratamento quimioterápico. A prevenção da SLT é a pedra angular do manejo e inclui hidratação venosa agressiva (geralmente > 3 L/m²/dia) para promover diurese e excreção de metabólitos, e o uso de alopurinol para inibir a formação de ácido úrico. Em casos de alto risco ou hiperuricemia refratária, pode-se usar rasburicase. A alcalinização urinária (com bicarbonato de sódio para manter pH > 7,0) pode ser considerada para aumentar a solubilidade do ácido úrico, mas deve ser usada com cautela devido ao risco de precipitação de fosfato de cálcio. A hemodiálise profilática não é uma medida preventiva, mas sim um tratamento para a SLT já estabelecida e suas complicações refratárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais da Síndrome de Lise Tumoral?

A Síndrome de Lise Tumoral é caracterizada por hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia, resultantes da rápida destruição das células tumorais e liberação de seu conteúdo intracelular na corrente sanguínea.

Por que o alopurinol é utilizado na prevenção da Síndrome de Lise Tumoral?

O alopurinol é um inibidor da xantina oxidase, enzima responsável pela conversão de purinas em ácido úrico. Ao inibir essa enzima, o alopurinol reduz a produção de ácido úrico, prevenindo a hiperuricemia e a nefropatia por ácido úrico, uma das principais complicações da SLT.

Qual o papel da hidratação venosa na prevenção da Síndrome de Lise Tumoral?

A hidratação venosa agressiva é fundamental para aumentar o fluxo urinário, promovendo a excreção de metabólitos tóxicos liberados pela lise tumoral, como o ácido úrico e o fosfato, e prevenindo a formação de cristais nos túbulos renais.

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