Síndrome de Lise Tumoral: Diagnóstico e LRA Associada

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 65 anos, admitido em pronto atendimento com queixa de dor lombar há 15 dias. Refere inchaço, falta de ar e redução do volume de urina nos últimos 7 dias. Exame físico: REG, ictérico; anasarca; linfonodomegalia inguinal e PA:170x100 mmHg. Exames admissionais: gasometria venosa pH:7,29; HCO3:10,4 mmol/L; PCO2: 22 mmHg; PO2: 54 mmHg; Cr: 9,2 mg/dL; Ur: 420 mg/dL; Potássio: 7,3 mmol/L; Cálcio: 5,9 mg/dL (VR: 8,5-10,5); Fósforo: 13,1 mg/dL (VR: 2,5-5,6); Albumina: 2,5 g/dL; Bilirrubina total: 18,1 mg/dL (VR: 0,1-1,2); Bilirrubina direta: 14,8 mg/dL (VR: 0-0,2) e Hemograma normal. Qual é a provável etiologia da lesão renal aguda?

Alternativas

  1. A) Síndrome hemolítico urêmica.
  2. B) Nefrite intersticial aguda.
  3. C) Hipertensão maligna.
  4. D) Síndrome de lise tumoral.

Pérola Clínica

Lise tumoral → Hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia + LRA.

Resumo-Chave

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica caracterizada pela rápida liberação de produtos intracelulares no sangue devido à destruição maciça de células tumorais. Isso leva a distúrbios metabólicos graves como hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia, que podem causar lesão renal aguda.

Contexto Educacional

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica que ocorre devido à rápida destruição de células tumorais, liberando grandes quantidades de conteúdo intracelular na circulação. É mais comum em pacientes com tumores de alta proliferação e grande massa tumoral, como linfomas e leucemias, especialmente após o início da quimioterapia, mas pode ocorrer espontaneamente. A SLT é caracterizada por uma tétrade metabólica: hiperuricemia (pela liberação de purinas), hipercalemia (pela liberação de potássio intracelular), hiperfosfatemia (pela liberação de fosfato) e hipocalcemia (pela ligação do cálcio ao fosfato). Esses distúrbios podem levar a complicações graves, incluindo lesão renal aguda (pela precipitação de cristais de ácido úrico e fosfato de cálcio nos túbulos), arritmias cardíacas e convulsões. O diagnóstico é clínico e laboratorial, e o tratamento envolve hidratação vigorosa, alopurinol ou rasburicase para hiperuricemia, e manejo dos distúrbios eletrolíticos. A prevenção é crucial em pacientes de alto risco. No caso, a combinação de LRA, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia, junto com sinais de malignidade (linfonodomegalia, icterícia), aponta fortemente para SLT.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Síndrome de Lise Tumoral?

Os critérios de Cairo-Bishop incluem hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia, além de disfunção renal aguda, arritmias ou convulsões.

Por que a Síndrome de Lise Tumoral causa Lesão Renal Aguda?

A LRA na SLT é multifatorial, principalmente devido à precipitação de cristais de ácido úrico e fosfato de cálcio nos túbulos renais, obstruindo-os e causando necrose tubular aguda.

Quais são os fatores de risco para desenvolver Síndrome de Lise Tumoral?

Fatores de risco incluem tumores de alta proliferação (ex: linfomas de Burkitt, leucemias agudas), grande massa tumoral, alta sensibilidade à quimioterapia e disfunção renal pré-existente.

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