Síndrome da Lise Tumoral Pediátrica: Riscos e Manejo

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Acerca da síndrome da lise tumoral (SLT) em pediatria, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A rasburicase, por reduzir os níveis de ácido úrico muito lentamente em pacientes de risco para SLT, tem sido pouco utilizada quando se detectam níveis séricos acima de 7,5, uma vez que sua ação é lenta.
  2. B) Quanto maior for a taxa de divisão celular, como na presença de massa mediastinal e elevadas leucometrias, maior será a chance de apresentar SLT.
  3. C) Na SLT, os íons potássio e cálcio encontram‑se em níveis extremamente baixos e devem ser repostos sempre, com a finalidade de evitar complicações neurológicas, como convulsões, devido à hipocalcemia.
  4. D) A hiperuricemia responde pela principal causa de acometimento renal. A falta de reconhecimento e de diagnóstico precoces tem aumentado a mortalidade por SLT na maioria dos serviços de oncologia pediátrica.
  5. E) Na hiperfosfatemia, a hidratação não tem demonstrado eficácia na diminuição do risco de formação de cristais, sendo esse o motivo do aumento da indicação de terapia de substituição renal na SLT.

Pérola Clínica

SLT: Alto risco em tumores com alta taxa de proliferação (leucemias, linfomas) → hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia, hiperuricemia.

Resumo-Chave

A Síndrome da Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica pediátrica, mais comum em tumores com alta taxa de proliferação celular, como leucemias e linfomas. Caracteriza-se por distúrbios eletrolíticos graves (hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia e hiperuricemia) que podem levar a insuficiência renal e arritmias.

Contexto Educacional

A Síndrome da Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica que ocorre devido à rápida destruição de células tumorais, liberando seu conteúdo intracelular na corrente sanguínea. Em pediatria, é particularmente relevante em pacientes com leucemias e linfomas de alta proliferação, sendo um desafio crítico para residentes e oncologistas pediátricos. O reconhecimento precoce dos fatores de risco e das manifestações clínicas é fundamental para a prevenção e manejo eficazes. A fisiopatologia da SLT envolve uma cascata de eventos: a liberação de potássio e fosfato intracelulares leva à hipercalemia e hiperfosfatemia, respectivamente. A hiperfosfatemia, por sua vez, causa precipitação de cálcio, resultando em hipocalcemia. Além disso, a liberação de ácidos nucleicos e seu catabolismo resultam em hiperuricemia. Esses distúrbios eletrolíticos e metabólicos podem levar a complicações graves, como insuficiência renal aguda (nefropatia por urato e por fosfato de cálcio), arritmias cardíacas (hipercalemia) e convulsões (hipocalcemia). O manejo da SLT é primariamente preventivo e inclui hidratação vigorosa, uso de alopurinol para reduzir a formação de ácido úrico e, em casos de alto risco ou hiperuricemia estabelecida, rasburicase para rápida conversão do ácido úrico. O tratamento dos distúrbios eletrolíticos, como hipercalemia e hipocalcemia, é crucial. A monitorização laboratorial frequente e a intervenção rápida são essenciais para reduzir a morbimortalidade associada à SLT, tornando-a um tópico de grande importância na formação médica.

Perguntas Frequentes

Quais pacientes pediátricos têm maior risco de desenvolver Síndrome da Lise Tumoral?

Pacientes pediátricos com tumores de alta taxa de proliferação celular, como leucemias agudas (especialmente LLA) e linfomas de alto grau (ex: Burkitt), grandes massas tumorais ou altas leucometrias, apresentam maior risco de SLT.

Quais são os principais distúrbios eletrolíticos na Síndrome da Lise Tumoral?

Os principais distúrbios eletrolíticos são hipercalemia (liberação de potássio intracelular), hiperfosfatemia (liberação de fosfato intracelular), hipocalcemia (precipitação de cálcio com fosfato) e hiperuricemia (liberação de ácido úrico).

Qual o papel da rasburicase no tratamento da SLT?

A rasburicase é utilizada para tratar ou prevenir a hiperuricemia na SLT. Ela converte rapidamente o ácido úrico em alantoína, um metabólito mais solúvel, facilitando sua excreção renal e prevenindo a nefropatia por urato.

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