UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022
Homem de 25 anos apresenta náuseas, vômitos, discreta sonolência e fraqueza muscular. AP: diagnóstico recente de carcinoma de células germinativas do testículo esquerdo, com grande massa tumoral retroperitoneal, em quimioterapia com etoposídeo e cisplatina há 4 dias. Exame físico: PA 110/70 mmHg, FC 100 bpm, temperatura 37,8 ºC, orientado, sem outras alterações.A conduta inicial e sua justificativa são:
Náuseas, vômitos, sonolência e fraqueza pós-quimioterapia para tumor volumoso → suspeitar de Síndrome de Lise Tumoral; iniciar hidratação e exames.
A síndrome de lise tumoral é uma emergência oncológica que ocorre após quimioterapia em tumores de alta proliferação, liberando grandes quantidades de metabólitos intracelulares. Os sintomas inespecíficos como náuseas e fraqueza, associados ao histórico, exigem hidratação vigorosa e monitorização eletrolítica para prevenir complicações renais e cardíacas.
A síndrome de lise tumoral (SLT) é uma emergência oncológica que ocorre devido à rápida destruição de células tumorais, liberando grandes quantidades de componentes intracelulares para a circulação. É mais comum após o início da quimioterapia em tumores de alta proliferação e grande volume, como o carcinoma de células germinativas do testículo com massa retroperitoneal, como no caso apresentado. Os sintomas iniciais são inespecíficos, como náuseas, vômitos, fraqueza e sonolência, podendo ser erroneamente atribuídos à toxicidade da quimioterapia. No entanto, a SLT leva a distúrbios metabólicos graves: hiperuricemia (pela liberação de purinas), hipercalemia (liberação de potássio intracelular), hiperfosfatemia (liberação de fosfato) e hipocalcemia secundária (pela precipitação de cálcio com o fosfato). A conduta inicial e mais crítica é a hidratação endovenosa vigorosa para promover a diurese e a excreção dos metabólitos. Além disso, a monitorização laboratorial frequente de eletrólitos, função renal, ácido úrico e fosfato é essencial para guiar o tratamento, que pode incluir alopurinol ou rasburicase para hiperuricemia, e medidas para corrigir hipercalemia e hipocalcemia. O reconhecimento precoce e a intervenção agressiva são cruciais para prevenir complicações potencialmente fatais, como insuficiência renal aguda e arritmias cardíacas.
A síndrome de lise tumoral é caracterizada por hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia. Esses distúrbios resultam da rápida liberação de componentes intracelulares das células tumorais destruídas pela quimioterapia.
A hidratação vigorosa ajuda a aumentar o fluxo urinário, promovendo a excreção de ácido úrico, fosfato e potássio, e prevenindo a precipitação de cristais de ácido úrico e fosfato de cálcio nos túbulos renais, que podem causar insuficiência renal aguda.
Pacientes com tumores de alta proliferação (como linfomas de Burkitt, leucemias agudas, carcinomas de células germinativas), grande massa tumoral, alta sensibilidade à quimioterapia e disfunção renal pré-existente são os que apresentam maior risco de desenvolver a síndrome de lise tumoral.
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