Síndrome de Lise Tumoral: Diagnóstico e Distúrbios Eletrolíticos

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021

Enunciado

GSM, 15 anos, após iniciar quimioterapia para tratamento de leucemia linfoide aguda, evolui com redução de volume urinário e elevação das escórias nitrogenadas, caracterizando injúria renal aguda.A etiologia do acometimento renal e os seus achados característicos são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) rabdomiólise; hipercalcemia, hipouricemia, hiperfosfatemia e hipercalemia.
  2. B) síndrome de lise tumoral; hipocalcemia, hiperuricemia, hiperfosfatemia e hipercalemia.
  3. C) rabdomiólise; hipocalcemia, hiperuricemia, hipofosfatemia e hipocalemia.
  4. D) síndrome de lise tumoral; hipercalcemia, hipouricemia, hipofosfatemia e hipocalemia.
  5. E) rabdomiólise; hipocalcemia, hiperuricemia, hiperfosfatemia e hipocalemia.

Pérola Clínica

Lise Tumoral → IRA + hipocalcemia, hiperuricemia, hiperfosfatemia, hipercalemia.

Resumo-Chave

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica comum após quimioterapia para tumores de alta proliferação, como leucemias. Caracteriza-se pela liberação maciça de componentes intracelulares, levando a distúrbios eletrolíticos e injúria renal aguda devido à precipitação de ácido úrico e fosfato de cálcio nos túbulos renais.

Contexto Educacional

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma complicação potencialmente fatal que ocorre devido à rápida destruição de células tumorais, liberando grandes quantidades de componentes intracelulares na corrente sanguínea. É mais comum em pacientes com tumores de alta proliferação e grande carga tumoral, como leucemias e linfomas de alto grau, especialmente após o início da quimioterapia. A SLT é uma emergência oncológica que exige reconhecimento e manejo imediatos. Os achados fisiopatológicos da SLT incluem hiperuricemia (pela quebra de ácidos nucleicos), hipercalemia (liberação de potássio intracelular), hiperfosfatemia (liberação de fosfato intracelular) e hipocalcemia (pela precipitação do cálcio com o fosfato). Esses distúrbios eletrolíticos podem levar a arritmias cardíacas, convulsões e, mais notavelmente, injúria renal aguda (IRA) devido à precipitação de cristais de ácido úrico e fosfato de cálcio nos túbulos renais, causando obstrução e necrose tubular. O manejo da SLT envolve hidratação vigorosa para aumentar o fluxo urinário e prevenir a precipitação de cristais, além do uso de alopurinol ou rasburicase para reduzir os níveis de ácido úrico. A correção dos distúrbios eletrolíticos é fundamental, e a diálise pode ser necessária em casos de IRA grave ou hipercalemia refratária. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da instituição do tratamento, sendo a prevenção a melhor estratégia em pacientes de alto risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da Síndrome de Lise Tumoral (SLT)?

A SLT é diagnosticada pela presença de dois ou mais dos seguintes achados laboratoriais: hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia, que ocorrem dentro de 3 dias antes ou 7 dias após o início da quimioterapia, ou espontaneamente, associados a disfunção renal, arritmias ou convulsões.

Por que ocorre injúria renal aguda na SLT?

A injúria renal aguda na SLT é multifatorial. A hiperuricemia leva à precipitação de cristais de ácido úrico nos túbulos renais, causando obstrução. A hiperfosfatemia, por sua vez, pode precipitar com o cálcio, formando cristais de fosfato de cálcio que também obstruem os túbulos, além de causar hipocalcemia.

Qual a diferença entre SLT e rabdomiólise em relação aos eletrólitos?

Ambas podem causar injúria renal aguda e hipercalemia. No entanto, a SLT cursa com hiperuricemia e hiperfosfatemia, levando à hipocalcemia. Já a rabdomiólise tipicamente apresenta hipercalcemia (na fase de recuperação) e níveis normais ou baixos de ácido úrico e fosfato.

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