Síndrome de Lise Tumoral: Diagnóstico e Manejo Renal

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 72 anos de idade, foi admitida na unidade de emergência em virtude de anúria, náuseas e vômitos há 24 horas. Tem diagnóstico de leucemia mieloide aguda há 5 meses e iniciou um ciclo de quimioterapia com antraciclina e doxorrubicina há três dias. O exame físico não apresentava alterações significativas. Na admissão, foi feita expansão volêmica com solução salina a 0,9% e foram solicitados exames laboratoriais, cujos resultados podem ser vistos na tabela a seguir: Qual o diagnóstico que justifica o quadro renal apresentado pela paciente?

Alternativas

  1. A) Nefrite intersticial aguda
  2. B) Toxicidade da quimioterapia
  3. C) Síndrome de lise tumoral
  4. D) Lesão renal pré-renal

Pérola Clínica

Lise tumoral: quimioterapia + malignidade hematológica → IRA, hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia.

Resumo-Chave

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica que ocorre devido à rápida destruição de células tumorais após o início da quimioterapia, liberando grandes quantidades de metabólitos intracelulares. Isso leva a distúrbios eletrolíticos graves e insuficiência renal aguda, manifestando-se com anúria, náuseas e vômitos.

Contexto Educacional

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma complicação potencialmente fatal que ocorre devido à rápida destruição de células tumorais, liberando seu conteúdo intracelular na corrente sanguínea. É mais comum em pacientes com neoplasias de alta proliferação e grande carga tumoral, como leucemias e linfomas, especialmente após o início da quimioterapia. O reconhecimento precoce e o manejo agressivo são cruciais para evitar desfechos adversos, sendo um tema de grande importância em oncologia e emergências médicas para residentes. A fisiopatologia da SLT envolve a liberação de potássio, fosfato e ácidos nucleicos. A degradação dos ácidos nucleicos resulta em hiperuricemia, que pode levar à precipitação de cristais de ácido úrico nos túbulos renais, causando insuficiência renal aguda (IRA). A hiperfosfatemia pode precipitar com cálcio, resultando em hipocalcemia sintomática e também contribuindo para a IRA. A hipercalemia é outra complicação grave, podendo causar arritmias cardíacas. O quadro clínico se manifesta com náuseas, vômitos, letargia, convulsões e anúria, como descrito na questão. O tratamento da SLT visa corrigir os distúrbios metabólicos e prevenir a IRA. Inclui hidratação vigorosa para aumentar o fluxo urinário, uso de alopurinol para inibir a formação de ácido úrico ou rasburicase para metabolizar o ácido úrico já formado, e monitoramento e correção dos eletrólitos. A diálise pode ser necessária em casos de IRA grave ou distúrbios eletrolíticos refratários. A prevenção é a melhor abordagem, identificando pacientes de risco e iniciando medidas profiláticas antes da quimioterapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome de Lise Tumoral?

A Síndrome de Lise Tumoral é diagnosticada pela presença de dois ou mais dos seguintes critérios laboratoriais: hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia, que ocorrem dentro de 3 dias antes ou 7 dias após o início da quimioterapia, ou por critérios clínicos como insuficiência renal aguda, arritmias ou convulsões.

Qual a fisiopatologia da lesão renal na Síndrome de Lise Tumoral?

A lesão renal na SLT é primariamente causada pela precipitação de cristais de ácido úrico nos túbulos renais, levando à obstrução e necrose tubular aguda. A hiperfosfatemia também pode contribuir pela precipitação de fosfato de cálcio nos túbulos.

Qual a conduta inicial para prevenir a Síndrome de Lise Tumoral?

A prevenção da SLT em pacientes de alto risco envolve hidratação vigorosa com fluidos intravenosos e o uso de agentes hipouricemiantes, como alopurinol ou rasburicase, antes do início da quimioterapia, para reduzir a formação de ácido úrico.

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