Síndrome de Lise Tumoral: Diagnóstico e Manejo Essencial

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020

Enunciado

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT), decorrente da destruição maciça de células neoplásicas e com elevado potencial de mortalidade, é uma complicação temí vel em pacientes oncológicos. Sobre o diagnóstico e manejo da SLT, considere as seguintes afirmações: I - Síndrome de Lise Tumoral Laboratorial ocorre quando duas ou mais das seguintes anormalidades surgem espontaneamente ou após início de terapia oncológic a: hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipercalcemia. II - Síndrome de Lise Tumoral Clínica acontece quando a Síndrome de Lise Tumoral Laboratorial vem acompanhada de alguma complicação: elevação da creatinina, convulsões, arritmia cardíaca ou parada cardiorrespiratória. III - Rasburicase e hidratação com fluidos intravenosos são recomendados como tratamento de primeira linha para pacientes com alto risco para Síndrome de Lise Tumoral Clínica. IV - A alcalinização urinária com bicarbonato de sódio aumenta a solubilidade do fosfato de cálcio nos túbulos renais, devendo ser indicada em pacientes com insuficiência renal, decorrente da Síndrome de Lise Tumoral. Estão corretas as afirmativas

Alternativas

  1. A) I e IV.
  2. B) II e III.
  3. C) I e II.
  4. D) III e IV.

Pérola Clínica

SLT Laboratorial: 2+ anormalidades (hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia). SLT Clínica: SLT Lab + complicação.

Resumo-Chave

A Síndrome de Lise Tumoral é uma emergência oncológica. O diagnóstico laboratorial envolve eletrólitos específicos, e o clínico adiciona complicações orgânicas. A rasburicase e hidratação são pilares do tratamento e prevenção, enquanto a alcalinização urinária é contraindicada.

Contexto Educacional

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica potencialmente fatal, caracterizada pela rápida destruição de células tumorais e liberação de seu conteúdo intracelular na corrente sanguínea. É mais comum em neoplasias com alta taxa de proliferação e grande carga tumoral, como linfomas de Burkitt e leucemias agudas, sendo crucial para residentes reconhecer e intervir precocemente. A fisiopatologia da SLT envolve a liberação maciça de potássio, fosfato e ácidos nucleicos. A degradação dos ácidos nucleicos leva à hiperuricemia, que pode causar nefropatia obstrutiva por cristais de ácido úrico. A hiperfosfatemia pode precipitar com o cálcio, resultando em hipocalcemia sintomática e deposição de fosfato de cálcio nos rins. O diagnóstico é laboratorial e clínico, sendo essencial monitorar eletrólitos e função renal. O manejo da SLT foca na prevenção e tratamento das complicações metabólicas. A hidratação intravenosa agressiva é fundamental para manter o fluxo urinário e prevenir a precipitação de cristais. A rasburicase é o tratamento de escolha para a hiperuricemia, convertendo o ácido úrico em alantoína, mais solúvel. A alcalinização urinária é contraindicada devido ao risco de precipitação de fosfato de cálcio. O monitoramento contínuo e a correção das alterações eletrolíticas são vitais para um bom prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Síndrome de Lise Tumoral Laboratorial?

A SLT Laboratorial é definida pela presença de duas ou mais das seguintes alterações: hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia, ocorrendo espontaneamente ou após terapia oncológica.

Qual o tratamento de primeira linha para pacientes com alto risco de Síndrome de Lise Tumoral?

Para pacientes com alto risco, o tratamento de primeira linha inclui hidratação intravenosa agressiva e o uso de rasburicase para controlar a hiperuricemia, prevenindo a nefropatia por ácido úrico.

Por que a alcalinização urinária não é recomendada na Síndrome de Lise Tumoral?

A alcalinização urinária com bicarbonato de sódio não é recomendada porque pode aumentar a precipitação de fosfato de cálcio nos túbulos renais, piorando a lesão renal aguda, e diminui a solubilidade do ácido úrico.

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