Síndrome de Lise Tumoral: Diagnóstico e Manejo Essencial

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2022

Enunciado

Roberto, 55 anos, chega à Unidade de Emergência com história de náuseas, vômitos e câimbras, após ter realizado quimioterapia há 4 dias. Sabe ser portador de linfoma difuso de grandes células B. Exames realizados na urgência mostraram creatinina 4,9 mg/dL (pré tratamento 1,5 mg/dL), K=7,2mEq/L, P=10,5 mg/dL, Ca=6,1mg/dL, Ácido Úrico = 12 mg/dL). Realizada ultrassonografia de rins e vias urinárias que estava normal. Considerando o diagnóstico do Roberto, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) Trata-se de lesão renal crônica agudizada KDIGO 4 (Kidney Diseases Improving Global Outcomes).
  2. B) Hiperfosfatemia com hipocalcemia sugerem hiperparatireoidismo secundário.
  3. C) O tratamento dessa situação inclui o uso de um inibidor da enzima xantino oxidase.
  4. D) Roberto deve iniciar diálise imediatamente para tratar todas as alterações eletrolíticas que apresenta.

Pérola Clínica

SLT = hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia → inibidor xantino oxidase (alopurinol) essencial.

Resumo-Chave

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica caracterizada pela liberação rápida de produtos intracelulares após quimioterapia, levando a hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia. O tratamento inclui hidratação vigorosa e o uso de inibidores da xantino oxidase, como o alopurinol, para reduzir a formação de ácido úrico.

Contexto Educacional

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma complicação oncológica grave e potencialmente fatal, caracterizada pela rápida destruição de células tumorais e liberação de seu conteúdo intracelular na corrente sanguínea. É mais comum em neoplasias com alta taxa de proliferação e grande carga tumoral, como linfomas de alto grau (ex: linfoma difuso de grandes células B) e leucemias agudas, especialmente após o início da quimioterapia. As manifestações clínicas da SLT resultam de alterações metabólicas: hiperuricemia (pela liberação de purinas e seu metabolismo a ácido úrico), hipercalemia (liberação de potássio intracelular), hiperfosfatemia (liberação de fosfato) e hipocalcemia (precipitação de cálcio com fosfato). Essas alterações podem levar a insuficiência renal aguda (por nefropatia por urato e fosfato de cálcio), arritmias cardíacas e convulsões. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com monitoramento rigoroso dos eletrólitos. O manejo da SLT envolve hidratação intravenosa vigorosa para promover a excreção renal e prevenir a precipitação de cristais. A profilaxia e o tratamento da hiperuricemia são cruciais, utilizando inibidores da xantino oxidase como o alopurinol, que reduz a produção de ácido úrico. Em casos de alto risco ou hiperuricemia já estabelecida, a rasburicase (urato oxidase recombinante) pode ser usada para converter o ácido úrico em alantoína, mais solúvel. A correção das outras alterações eletrolíticas e, se necessário, a diálise, completam o tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Síndrome de Lise Tumoral?

A SLT é diagnosticada pela presença de duas ou mais alterações metabólicas (hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia) que ocorrem 3 dias antes ou 7 dias após o início da quimioterapia, ou por insuficiência renal aguda, arritmias ou convulsões.

Qual o papel do alopurinol no tratamento da Síndrome de Lise Tumoral?

O alopurinol é um inibidor da xantino oxidase que impede a formação de ácido úrico a partir de purinas, sendo fundamental na profilaxia e tratamento da hiperuricemia na SLT, prevenindo a nefropatia por urato.

Quando a diálise é indicada na Síndrome de Lise Tumoral?

A diálise é indicada em casos de SLT grave com hipercalemia refratária ao tratamento clínico, hiperfosfatemia grave sintomática, sobrecarga hídrica com insuficiência cardíaca ou edema pulmonar, ou insuficiência renal aguda anúrica/oligúrica grave.

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