Síndrome de Lise Tumoral: Diagnóstico e Manejo Laboratorial

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 6 anos de idade, sexo masculino, encaminhado a Emergência Pediátrica do Hospital da Criança por história de febre de no máximo 38°C, 1 a 2 episódios ao dia, há cerca de 15 dias, associado a hematomas em todo o corpo, não relacionados a trauma. Refere também perda ponderal de cerca de 6kg neste período. Ao exame físico REG. hipocorado 3+/4+, acianótico, afebril, anictérico. Ausculta pulmonar: MV + bilateralmente, sem RA, FR: 30ipm, sem sinais de desconforto respiratório. Aparelho cardiovascular: BNF. RCR 2T, sopro sistólico 2+/6+. FC: 140 bpm, PA: 100 x 60 mmHg. Abdome: globoso, indolor a palpação superficial, fígado a 4cm RCD e baço a 3cm RCE. Na investigação inicial, foram coletados exames laboratoriais com hemograma com as seguintes alterações: Hb: 6,5 Ht: 22% Leucócitos: 385 mil, sem diferencial Plaquetas: 40 mil. O paciente apresenta alterações laboratoriais que a caracterizam como alto risco de lise tumoral. Esta emergência oncológica caracteriza-se laboratorialmente por:

Alternativas

  1. A) Hipercalemia, Hiperfosfatemia, Hipocalcemia e Hiperuricemia.
  2. B) Hipercalemia, Hiperfosfatemia. Hipercalcemia e Hiperuricemia.
  3. C) Hipercalemia, Hipocalcemia, Hiperfosfatemia e Redução dos níveis da enzima desidrogenase lática (DHL).
  4. D) Hipercalemia, Hipofosfatemia, Hipercalcemia e Aumento dos níveis da enzima desidrogenase lática (DHL).

Pérola Clínica

Síndrome de Lise Tumoral (SLT) = Hipercalemia + Hiperfosfatemia + Hipocalcemia + Hiperuricemia.

Resumo-Chave

A Síndrome de Lise Tumoral é uma emergência oncológica causada pela rápida destruição de células tumorais, liberando seu conteúdo intracelular na corrente sanguínea. Isso leva a distúrbios eletrolíticos e metabólicos característicos, como hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia e hiperuricemia, que podem causar insuficiência renal aguda e arritmias cardíacas.

Contexto Educacional

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma complicação metabólica grave que pode ocorrer em pacientes com câncer, especialmente aqueles com tumores de alta proliferação e grande carga tumoral, como leucemias e linfomas. É uma emergência oncológica que requer reconhecimento e manejo imediatos para prevenir danos orgânicos, como insuficiência renal aguda e arritmias cardíacas, que podem ser fatais. A SLT ocorre devido à rápida destruição de células tumorais, seja espontaneamente ou após o início da quimioterapia, liberando grandes quantidades de potássio, fosfato e ácidos nucleicos (que são metabolizados em ácido úrico) na circulação. O diagnóstico é laboratorial, com base nos critérios de Cairo-Bishop, que incluem hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia e hiperuricemia, refletindo a sobrecarga metabólica. O manejo da SLT envolve hidratação vigorosa para aumentar o fluxo urinário e prevenir a precipitação de cristais, além do uso de alopurinol ou rasburicase para reduzir os níveis de ácido úrico. A correção dos distúrbios eletrolíticos (hipercalemia, hipocalcemia) é crucial para evitar complicações cardíacas e renais. A prevenção é fundamental em pacientes de alto risco, iniciando as medidas antes da quimioterapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para a Síndrome de Lise Tumoral?

Os fatores de risco incluem tumores de alta proliferação (como leucemias e linfomas de Burkitt), grande carga tumoral, alta sensibilidade à quimioterapia, disfunção renal pré-existente e desidratação. O paciente do caso apresenta leucemia com alta carga tumoral.

Como a hiperfosfatemia causa hipocalcemia na Síndrome de Lise Tumoral?

Na SLT, a destruição celular libera grandes quantidades de fosfato. Esse fosfato se liga ao cálcio sérico, formando precipitados de fosfato de cálcio que são depositados nos tecidos, resultando em uma diminuição dos níveis de cálcio livre no sangue (hipocalcemia).

Qual a conduta inicial para prevenir ou tratar a Síndrome de Lise Tumoral?

A conduta inicial envolve hidratação intravenosa vigorosa para aumentar o fluxo urinário e prevenir a precipitação de cristais nos túbulos renais. Além disso, utiliza-se alopurinol ou rasburicase para reduzir os níveis de ácido úrico e corrigir os distúrbios eletrolíticos.

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