HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2020
Menina, 14 anos de idade, com antecedente de linfoma, há 12 dias concluiu seu esquema de quimioterapia. Há 1 dia com queixa de febre, náuseas, edema de membros inferiores, adinamia e diminuição de diurese. Ao exame clínico: em mau estado geral, descorada 2+/4+, sonolenta, acianótica, febril (Temperatura axilar = 37,9ºC), pulsos periféricos finos. Ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações. Sem lesões de pele. Na sala de emergência, obtido acesso venoso, monitorização, evidenciando pressão abaixo do percentil 5 para a idade. Realizadas medidas iniciais para estabilização da paciente. Exames laboratoriais revelaram: Hb = 8,6 g/dL; Ht = 25,8%; Leucócitos = 1.300/mm³ (segmentados = 60%); plaquetas = 60 mil/mm³ ; ureia = 79 mg/dL; creatinina:1,6 mg/dL; potássio = 6,7 mEq/L (referência: 3,5 - 5,1); sódio = 135 mEq/L; fósforo = 6,7 mg/dL (referência: 2,7 - 4,5); ácido úrico = 8,9 mg/dL (referência: 3,5 - 7,2); cálcio = 6,5 mg/dL (referência 8,4 - 10,10); Proteína C Reativa aumentada. A partir da história e dos achados laboratoriais, pode-se alegar que se trata de:
Lise Tumoral: Hipercalemia, hiperfosfatemia, hiperuricemia, hipocalcemia + IRA. Avaliar ECG por K+.
A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma emergência oncológica caracterizada por distúrbios metabólicos graves devido à rápida destruição de células tumorais, liberando seu conteúdo intracelular. Os achados laboratoriais de hipercalemia, hiperfosfatemia, hiperuricemia e hipocalcemia, associados à insuficiência renal aguda, são altamente sugestivos. A hipercalemia é particularmente perigosa, exigindo avaliação eletrocardiográfica imediata.
A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é uma complicação oncológica aguda, potencialmente fatal, que ocorre devido à rápida destruição de células tumorais, geralmente após o início da quimioterapia, mas também pode ocorrer espontaneamente. É mais comum em tumores com alta taxa de proliferação e grande massa tumoral, como linfomas e leucemias. A liberação maciça de componentes intracelulares (potássio, fosfato, ácidos nucleicos) na circulação leva a distúrbios metabólicos graves. Os achados laboratoriais clássicos da SLT incluem hipercalemia, hiperfosfatemia, hiperuricemia e hipocalcemia. A hiperuricemia pode levar à precipitação de cristais de ácido úrico nos túbulos renais, causando insuficiência renal aguda (IRA). A hiperfosfatemia pode precipitar com o cálcio, resultando em hipocalcemia sintomática (tetania, arritmias) e também contribuindo para a IRA. A hipercalemia é a alteração mais perigosa, com risco de arritmias cardíacas fatais, exigindo monitorização eletrocardiográfica contínua. O manejo da SLT é uma emergência e visa prevenir e tratar os distúrbios metabólicos e a IRA. Inclui hidratação intravenosa agressiva para aumentar o fluxo urinário e prevenir a precipitação de cristais, uso de agentes hipouricemiantes (alopurinol ou rasburicase), e correção dos eletrólitos. Em casos graves de IRA ou hipercalemia refratária, a diálise de urgência pode ser necessária. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para melhorar o prognóstico.
A Síndrome de Lise Tumoral é caracterizada por hipercalemia, hiperfosfatemia, hiperuricemia e hipocalcemia. Esses distúrbios resultam da liberação rápida de componentes intracelulares das células tumorais destruídas, levando a uma sobrecarga metabólica.
A avaliação eletrocardiográfica é crucial devido à hipercalemia, que pode causar alterações cardíacas graves, como ondas T apiculadas, prolongamento do PR, alargamento do QRS e, em casos extremos, fibrilação ventricular ou assistolia. Monitorar o ECG permite identificar e tratar essas arritmias precocemente.
A conduta inicial inclui hidratação vigorosa para prevenir a insuficiência renal, uso de alopurinol ou rasburicase para controlar a hiperuricemia, e correção dos distúrbios eletrolíticos, como a hipercalemia (com gluconato de cálcio para estabilizar o miocárdio, insulina/glicose, beta-agonistas) e a hipocalcemia sintomática.
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