Síndrome de Lise Tumoral: Manejo de Eletrólitos e Diálise

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 45 anos, tem diagnóstico de HIV e não realiza tratamento. Foi hospitalizado devido sangramento de mucosas, febre e anemia grave. Realizado diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda e iniciado tratamento quimioterápico. Após sete dias do uso da medicação citotóxica, iniciou com oligúria e náuseas. Ao exame físico, não apresentava edema ou congestão pulmonar. Dosagem de creatinina: 5,1 mg/dL, ureia: 153 mg/dL, ácido úrico: 17,5 mg/dL, Hb: 7,8 g/dL, plaquetas: 10.000/mm³. Sobre o caso, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O paciente possui alto risco de síndrome de lise tumoral e medidas preventivas são diureticoterapia agressiva e alopurinol.
  2. B) A elevação sérica de ácido úrico após a lise celular não contribui para o desenvolvimento de lesão renal aguda.
  3. C) Na síndrome de lise tumoral é esperado que o paciente apresente hipercalemia, hipercalcemia e hipofosfatemia.
  4. D) O diagnóstico provável é de glomeruloesclerose segmentar e focal do tipo colapsante associada ao HIV e a biópsia renal está indicada neste momento.
  5. E) A terapia dialítica pode ser indicada no curso desta condição, principalmente nos casos que apresentem hipercalemia grave e alteração eletrocardiográfica; a hemodiálise é o método preferível.

Pérola Clínica

Lise Tumoral → ↑K, ↑P, ↑Ácido Úrico e ↓Ca + Risco de Lesão Renal Aguda.

Resumo-Chave

A síndrome de lise tumoral é uma emergência metabólica onde a destruição celular maciça libera eletrólitos intracelulares, exigindo manejo agressivo e, por vezes, diálise.

Contexto Educacional

A Síndrome de Lise Tumoral (SLT) é comum em neoplasias hematológicas de alta taxa de proliferação, como a Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) e o Linfoma de Burkitt, especialmente após o início da quimioterapia citotóxica. A liberação maciça de conteúdo intracelular sobrecarrega os mecanismos de excreção renal. O diagnóstico clínico de SLT (Critérios de Cairo-Bishop) exige a presença de distúrbios laboratoriais associados a complicações clínicas como insuficiência renal, arritmias ou convulsões. O manejo precoce com hidratação e controle eletrolítico é crucial para evitar a necessidade de suporte dialítico e reduzir a mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais distúrbios metabólicos na síndrome de lise tumoral?

Os quatro pilares metabólicos são: hiperuricemia (pela quebra de ácidos nucleicos), hipercalemia (liberação de potássio intracelular), hiperfosfatemia (liberação de fósforo intracelular) e hipocalcemia (consequência da precipitação do fosfato de cálcio nos tecidos e rins).

Como prevenir a lesão renal aguda na lise tumoral?

A prevenção baseia-se em hidratação venosa vigorosa para manter o fluxo urinário e o uso de agentes hipouricemiantes. O alopurinol inibe a formação de novo ácido úrico, enquanto a rasburicase (urato oxidase recombinante) degrada o ácido úrico já existente em alantoína, sendo mais eficaz em casos de alto risco.

Quando a hemodiálise é indicada na síndrome de lise tumoral?

A terapia dialítica, preferencialmente a hemodiálise devido à sua alta taxa de depuração, é indicada em casos de hipercalemia grave refratária, hiperfosfatemia severa com hipocalcemia sintomática, sobrecarga volêmica ou quando o ácido úrico permanece muito elevado apesar do tratamento clínico, resultando em anúria ou oligúria.

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