Síndrome de Liddle: Diagnóstico e Tratamento da Hipertensão

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2022

Enunciado

Paciente, com 15 anos de idade, relatou ser portador de hipertensão arterial de difícil controle há 1 ano. Na ocasião, ele não apresentou outras queixas. Os exames laboratoriais por ele realizados revelou potássio = 2.8 meq/L, sódio = 148 meq/L, creatinina = 0,8 mg/dL, uréia = 27 mg/dL, pH = 7,52, bicarbonato = 38, pCO2 = 45 (gasometria arterial), aldosterona sérica e urinária normais e atividade de renina baixa. Considerando o quadro clínico e os resultados dos exames laboratoriais apresentados, assinale a opção correta. 

Alternativas

  1. A) Nesse caso, é recomendada a administração de amilorida, pois a resposta ao uso de espironolactona será ruim (Síndrome de Liddle).
  2. B) Esse paciente deve ser submetido à tomografia computadorizada, para diferenciação entre hiperplasia bilateral de adrenal e adenoma de adrenal.
  3. C) Provavelmente esse é um caso de apresentação atípica de hiperaldosteronismo primário.
  4. D) A presença de alcalose metabólica e hipocalemia, nesse caso, afasta o diagnóstico de síndrome de Bartter.
  5. E) Um provável diagnóstico, nesse caso, consiste na síndrome de Giltelman, desordem autossômica recessiva, caracterizada pela falha da Bomba Na/K/2CL. 

Pérola Clínica

Hipertensão + hipocalemia + alcalose metabólica + renina baixa + aldosterona normal → Síndrome de Liddle, tratar com amilorida.

Resumo-Chave

A Síndrome de Liddle é uma doença autossômica dominante rara, caracterizada por hipertensão arterial precoce, hipocalemia e alcalose metabólica, com níveis baixos de renina e aldosterona. É causada por uma mutação nos canais de sódio epiteliais (ENaC) no túbulo coletor, levando à reabsorção excessiva de sódio e secreção de potássio, mimetizando o hiperaldosteronismo primário, mas sem excesso de aldosterona.

Contexto Educacional

A Síndrome de Liddle é uma doença renal tubular rara, de herança autossômica dominante, que se manifesta como uma forma de hipertensão arterial secundária, geralmente de início precoce e difícil controle. É caracterizada por uma tríade de hipertensão, hipocalemia e alcalose metabólica, acompanhada de níveis plasmáticos de renina e aldosterona baixos. Essa condição é frequentemente referida como pseudo-hiperaldosteronismo, pois mimetiza os efeitos do excesso de aldosterona, mas sem o aumento real do hormônio. A fisiopatologia da Síndrome de Liddle envolve uma mutação nos genes que codificam as subunidades do canal de sódio epitelial (ENaC) no túbulo coletor renal. Essa mutação leva a uma hiperatividade constitutiva do ENaC, resultando em reabsorção excessiva de sódio e água e aumento da secreção de potássio e íons hidrogênio. Isso explica a hipertensão (pela expansão do volume), a hipocalemia e a alcalose metabólica. O diagnóstico é suspeitado pelos achados clínicos e laboratoriais e confirmado por testes genéticos ou pela resposta terapêutica específica. O tratamento da Síndrome de Liddle é distinto do hiperaldosteronismo primário. Devido à hiperatividade do ENaC, os antagonistas da aldosterona, como a espironolactona, são ineficazes. O tratamento de escolha é a amilorida, um diurético poupador de potássio que atua diretamente bloqueando o ENaC, corrigindo a reabsorção de sódio e a secreção de potássio. A detecção e o manejo precoces são cruciais para prevenir complicações cardiovasculares e renais a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais típicos da Síndrome de Liddle?

A Síndrome de Liddle caracteriza-se por hipertensão arterial, hipocalemia, alcalose metabólica, níveis plasmáticos de renina baixos e níveis de aldosterona sérica e urinária normais ou baixos, apesar da hipocalemia.

Por que a amilorida é o tratamento de escolha para a Síndrome de Liddle?

A amilorida é um diurético poupador de potássio que atua diretamente bloqueando os canais de sódio epiteliais (ENaC) no túbulo coletor renal, que estão hiperativos na Síndrome de Liddle. Isso corrige a reabsorção excessiva de sódio e a secreção de potássio.

Como diferenciar a Síndrome de Liddle do hiperaldosteronismo primário?

A principal diferença é que no hiperaldosteronismo primário, os níveis de aldosterona estão elevados, enquanto na Síndrome de Liddle, a aldosterona é normal ou baixa, apesar da hipocalemia e da renina baixa. Ambos apresentam hipertensão, hipocalemia e alcalose metabólica.

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