IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Homem, de 63 anos de idade, foi encaminhado pelo urologista para avaliação por dores em membros inferiores há seis meses. Relata dor ao caminhar distâncias moderadas, com melhora ao repouso. Segue com urologista por disfunção erétil. Tem antecedentes de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2 e tabagismo ativo. Ao exame físico, notam-se membros inferiores com diminuição da pilificação em extremidades e tempo de enchimento capilar preservado. Pulsos femorais ausentes. Pulsos poplíteos e pediosos presentes bilateralmente e simétricos. Realizou tomografia de abdome total, mostrada a seguir: Qual é a principal hipótese diagnóstica para o caso?
Tríade de Leriche = Claudicação de quadril/coxa + Disfunção erétil + Pulsos femorais ausentes.
A Síndrome de Leriche resulta da oclusão aterosclerótica da aorta distal e artérias ilíacas, manifestando-se clinicamente pela tríade clássica de isquemia pélvica e de membros inferiores.
A Síndrome de Leriche é uma forma específica de Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) que atinge o segmento aorto-ilíaco. A fisiopatologia é dominada pela aterosclerose, onde placas de ateroma se acumulam na aorta infra-renal até a bifurcação das ilíacas. A redução do fluxo para as artérias ilíacas internas compromete a irrigação dos corpos cavernosos, levando à impotência vasculogênica. O diagnóstico é sugerido pela clínica e confirmado por exames de imagem como Doppler arterial, Angiotomografia ou Angiorressonância. O tratamento envolve o controle rigoroso dos fatores de risco (cessação do tabagismo, estatinas, antiagregantes) e, em casos sintomáticos ou graves, revascularização cirúrgica (bypass aortobifemoral) ou técnicas endovasculares (angioplastia com stent), visando restaurar o fluxo para os membros e região pélvica.
A tríade clássica da Síndrome de Leriche, também conhecida como doença oclusiva aorto-ilíaca, consiste em: 1) Claudicação intermitente de localização alta (quadril, nádegas ou coxas); 2) Disfunção erétil (devido à redução do fluxo sanguíneo nas artérias ilíacas internas); e 3) Ausência ou redução acentuada dos pulsos femorais. Esta condição reflete uma obstrução crônica no nível da bifurcação da aorta abdominal ou das artérias ilíacas comuns, geralmente de etiologia aterosclerótica.
Embora a questão mencione pulsos poplíteos e pediosos presentes com femorais ausentes, isso é clinicamente atípico para uma oclusão completa sem circulação colateral exuberante. Na prática, se o pulso femoral está ausente por oclusão proximal, os pulsos distais também deveriam estar ausentes ou muito reduzidos. No entanto, em casos de desenvolvimento lento da obstrução, a circulação colateral (via artérias lombares, epigástricas e circunflexas) pode manter a perfusão distal o suficiente para que pulsos sejam palpáveis, embora com pressão reduzida.
O paciente típico é do sexo masculino, geralmente entre a quinta e sétima décadas de vida, com forte histórico de tabagismo (o fator de risco mais importante). Outras comorbidades comuns incluem hipertensão arterial, diabetes mellitus e dislipidemia. O quadro clínico evolui de forma insidiosa, começando com dor ao esforço que progride para dor em repouso ou lesões tróficas se não houver intervenção ou compensação por colaterais.
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