Síndrome de Leriche: Diagnóstico e Sinais Patognomônicos

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 69 anos, tabagista de 40 maços/ano vem ao pronto atendimento com queixa de cãibras e claudicação em ambos os MMII há cerca de 8 meses, com piora progressiva. Há cerca de 3 semanas, notou também piora de disfunção erétil. Ao exame físico, o clínico percebe diminuição de pulsos femorais bilateralmente e faz a hipótese de síndrome de Leriche. Qual dessas alternativas descreve a situação como patognomônica desta síndrome?

Alternativas

  1. A) O tabagismo, que causa arterite de vasos pélvicos de pequeno porte.
  2. B) A lenta progressão da doença, levando ao surgimento de circulação colateral.
  3. C) O sexo masculino, ao comprometer a artéria femoral comum de forma bilateral.
  4. D) A presença de cãibras, que estão ausentes na tromboangeite obliterante.
  5. E) Disfunção erétil, causada pela obstrução da artéria pudenda.

Pérola Clínica

Síndrome de Leriche = Claudicação MMII + Impotência sexual + Ausência/diminuição pulsos femorais.

Resumo-Chave

A Síndrome de Leriche é caracterizada pela tríade clássica de claudicação intermitente em membros inferiores, ausência ou diminuição dos pulsos femorais e disfunção erétil, sendo esta última um achado patognomônico devido à obstrução das artérias ilíacas que comprometem o fluxo para a artéria pudenda.

Contexto Educacional

A Síndrome de Leriche, também conhecida como oclusão aortoilíaca, é uma manifestação grave da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) caracterizada pela obstrução aterosclerótica da aorta distal, geralmente abaixo das artérias renais, e/ou das artérias ilíacas. É mais comum em homens tabagistas e representa um desafio diagnóstico e terapêutico. A tríade clássica de sintomas é crucial para o reconhecimento. A fisiopatologia envolve a formação de placas ateroscleróticas que progressivamente estenosam e ocluem o lúmen dos vasos, levando à isquemia dos tecidos supridos por essas artérias. Os sintomas incluem claudicação intermitente em glúteos, coxas e panturrilhas, ausência ou diminuição dos pulsos femorais e disfunção erétil. A disfunção erétil é um achado patognomônico, pois a obstrução das artérias ilíacas compromete o fluxo para as artérias pudendas internas, essenciais para a ereção. O diagnóstico é clínico e confirmado por exames de imagem como angiotomografia ou angiorressonância, que demonstram a extensão da obstrução. O tratamento pode variar desde manejo conservador com controle de fatores de risco e exercícios, até intervenções endovasculares (angioplastia com stent) ou cirúrgicas (bypass aortofemoral), dependendo da gravidade dos sintomas e da extensão da doença. O reconhecimento precoce é vital para evitar a progressão da isquemia e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual é a tríade clássica da Síndrome de Leriche?

A tríade clássica da Síndrome de Leriche consiste em claudicação intermitente em membros inferiores (especialmente glúteos e coxas), ausência ou diminuição dos pulsos femorais e disfunção erétil.

Por que a disfunção erétil é um achado patognomônico na Síndrome de Leriche?

A disfunção erétil é patognomônica porque a obstrução aterosclerótica na bifurcação da aorta ou nas artérias ilíacas comuns e externas compromete o fluxo sanguíneo para as artérias pudendas internas, que são responsáveis pela ereção.

Qual a principal causa da Síndrome de Leriche e como é diagnosticada?

A principal causa é a aterosclerose, frequentemente associada ao tabagismo. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de sintomas e exame físico, e confirmado por exames de imagem como angiotomografia ou angiorressonância.

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