SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Paciente, sexo masculino, 72 anos de idade, procura o ambulatório com queixa de dor em membros inferiores à deambulação, há dois anos, com piora nos últimos meses. O paciente refere, também, disfunção erétil em tratamento clínico. Portador de hipertensão arterial, dislipidemia e diabetes mellitus. Ao exame físico, bom estado geral, FC: 72 bpm, PA: 138x82 mmHg; ausculta cardíaca com bulhas normofonéticas e em três tempos; ausculta respiratória sem alterações; abdome plano, flácido e indolor; pulsos femorais +2/+4 e rítmicos.\n\nIndique a principal suspeita diagnóstica para o paciente:
Tríade de Leriche = Claudicação de quadril/coxa + Disfunção erétil + Pulsos femorais ↓.
A Síndrome de Leriche decorre da oclusão aterosclerótica crônica da bifurcação aorto-ilíaca. A clínica clássica envolve sintomas proximais e vasculogênicos devido à hipoperfusão pélvica e de membros inferiores.
A Síndrome de Leriche representa o espectro proximal da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP). A fisiopatologia baseia-se na formação de placas ateroscleróticas na bifurcação da aorta, que progridem até a oclusão total. Diferente da DAOP infra-inguinal, que causa claudicação na panturrilha, a oclusão aorto-ilíaca gera sintomas em grandes grupos musculares proximais, como glúteos e coxas, refletindo o nível da obstrução.\n\nO diagnóstico é sugerido pela história clínica e exame físico (redução de pulsos femorais) e confirmado por exames de imagem como Doppler colorido, Angiotomografia ou Angiorressonância. O tratamento varia desde o manejo conservador (controle de fatores de risco e exercício) até intervenções de revascularização. As opções cirúrgicas incluem o bypass aortobifemoral (padrão-ouro para casos extensos) ou técnicas endovasculares (stents em 'kissing stents' para lesões focais), visando restaurar a perfusão pélvica e dos membros inferiores.
A Síndrome de Leriche, também conhecida como doença oclusiva aorto-ilíaca, é caracterizada por uma tríade clínica clássica: 1) Claudicação intermitente de glúteos, quadris ou coxas; 2) Disfunção erétil (em homens) devido à insuficiência de fluxo nas artérias ilíacas internas; e 3) Ausência ou diminuição importante dos pulsos femorais. Ela ocorre devido à obstrução aterosclerótica progressiva da aorta terminal e/ou das artérias ilíacas comuns. É mais comum em pacientes idosos com fatores de risco cardiovascular, especialmente o tabagismo.
A disfunção erétil na Síndrome de Leriche é de origem puramente vascular (vasculogênica). A ereção depende de um aumento significativo do fluxo sanguíneo para os corpos cavernosos, mediado pelas artérias pudendas internas, que são ramos das artérias ilíacas internas. Quando há uma oclusão no nível da aorta distal ou das ilíacas comuns, o fluxo sanguíneo para a região pélvica fica severamente comprometido, impedindo o ingurgitamento necessário para a função erétil normal.
A claudicação arterial (Leriche) é desencadeada pelo esforço, cessa rapidamente com o repouso em pé e tem localização muscular proximal. A claudicação neurogênica (estenose de canal medular) geralmente melhora com a flexão do tronco (sentar ou inclinar-se) e pode ocorrer mesmo em repouso em certas posições. Já a claudicação venosa ocorre por hipertensão venosa grave, manifestando-se como uma dor em 'pressão' ou 'queimação' que melhora com a elevação dos membros, frequentemente acompanhada de edema e varizes.
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