Síndrome de Kawasaki: Diagnóstico e Sinais Chave

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Lactente de 2 anos de idade, iniciou febre de 39ºC há cinco dias. No segundo dia de doença, ele apresentou lábios vermelhos e uma erupção cutânea maculopapular eritematosa sobre seu tronco. No terceiro dia de doença, a conjuntiva apresentou hiperemia bilateral sem exsudado. A erupção cutânea envolveu suas extremidades e a língua evoluiu com aparecimento de papilas hipertrofiadas e hiperemiadas. No quarto dia de doença, ele tinha edema de mãos e pés com uma alteração difusa de cor vermelho- purpúrica sobre as palmas das mãos e plantas dos pés. Seus lábios agora estavam rachados e sangrando. Qual o diagnóstico deste paciente?

Alternativas

  1. A) Dengue.
  2. B) Enterovirose.
  3. C) Síndrome de Kawasaki.
  4. D) Sarampo.

Pérola Clínica

Febre >5 dias + 4/5 critérios (conjuntivite, lábios/língua, exantema, edema/eritema extremidades, linfadenopatia) → Kawasaki.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre prolongada (>5 dias) associada a conjuntivite bilateral não exsudativa, lábios vermelhos e rachados, língua em framboesa, exantema polimorfo e edema/eritema de mãos e pés em lactente é altamente sugestivo de Síndrome de Kawasaki, uma vasculite sistêmica que requer tratamento urgente.

Contexto Educacional

A Síndrome de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida que afeta predominantemente crianças pequenas, geralmente com menos de 5 anos de idade. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. O reconhecimento precoce é crucial devido ao risco de desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, uma complicação grave que pode levar a morbidade e mortalidade significativas. O diagnóstico da Síndrome de Kawasaki é clínico e baseia-se na presença de febre por pelo menos 5 dias, acompanhada de pelo menos quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orofaríngeas (lábios vermelhos e rachados, língua em framboesa), exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema, eritema, descamação periungueal) e linfadenopatia cervical. O caso descrito apresenta um quadro clássico e completo desses sinais. O tratamento padrão ouro envolve a administração de imunoglobulina intravenosa (IVIG) e aspirina em altas doses, o que reduz significativamente o risco de complicações coronarianas. Residentes devem estar atentos a quadros febris prolongados em crianças com exantema e sinais mucocutâneos, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode ter consequências cardíacas irreversíveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por 5 dias ou mais, associada a pelo menos 4 dos 5 seguintes: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (lábios rachados, língua em framboesa), exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema, eritema, descamação) e linfadenopatia cervical.

Qual a principal complicação da Síndrome de Kawasaki não tratada?

A principal e mais grave complicação é o desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia e morte súbita, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças.

Qual é o tratamento inicial para a Síndrome de Kawasaki?

O tratamento inicial consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e aspirina em alta dose, seguidos por aspirina em baixa dose por várias semanas, para reduzir o risco de aneurismas coronarianos.

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