São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2023
Sobre os dados necessários para fazer o diagnóstico de síndrome de Kallmann, assinale a alternativa incorreta.
Kallmann = Hipogonadismo hipogonadotrófico + Anosmia/Hiposmia. Outros eixos hipofisários geralmente normais.
A Síndrome de Kallmann é caracterizada por hipogonadismo hipogonadotrófico e anosmia/hiposmia, devido à falha na migração dos neurônios secretores de GnRH e dos neurônios olfatórios. As alterações hormonais são restritas ao eixo gonadal, com outros eixos hipofisários geralmente preservados.
A Síndrome de Kallmann é uma condição genética rara caracterizada pela combinação de hipogonadismo hipogonadotrófico e anosmia ou hiposmia. Sua importância clínica reside no diagnóstico diferencial do atraso puberal e na necessidade de reposição hormonal para indução da puberdade e fertilidade. A prevalência é de aproximadamente 1 em 10.000 homens e 1 em 50.000 mulheres. A fisiopatologia envolve a falha na migração dos neurônios secretores de GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) e dos neurônios olfatórios do placódio olfatório para o hipotálamo durante o desenvolvimento embrionário. Isso resulta em deficiência de GnRH, levando à baixa produção de FSH e LH pela hipófise e, consequentemente, à ausência de desenvolvimento puberal. O diagnóstico é baseado na tríade clínica (atraso puberal, anosmia/hiposmia), achados laboratoriais (FSH, LH e esteroides sexuais baixos) e de imagem (hipoplasia/agenesia de bulbos olfatórios na RM). O tratamento visa a reposição hormonal para induzir a puberdade e desenvolver características sexuais secundárias. Em homens, testosterona; em mulheres, estrogênio e progesterona. Para a fertilidade, pode-se usar pulsos de GnRH ou gonadotrofinas. É fundamental o acompanhamento multidisciplinar, incluindo endocrinologista e geneticista.
Os achados principais são atraso puberal ou ausência de puberdade (devido ao hipogonadismo hipogonadotrófico) e anosmia (perda total do olfato) ou hiposmia (olfato reduzido).
A Síndrome de Kallmann é geneticamente heterogênea, com mutações em diversos genes, sendo o gene KAL1 (Xp22.3) um dos mais conhecidos, responsável por uma forma ligada ao X.
A ressonância magnética cerebral pode revelar hipoplasia ou agenesia dos bulbos e sulcos olfatórios, achado patognomônico que confirma o componente olfatório da síndrome.
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