HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2023
Mulher, 52 anos, com diagnóstico de oclusão arterial aguda em artéria femoral do membro inferior direito, foi submetida a tratamento com embolectomia à Fogarty. No pós-operatório imediato evoluiu com dor no membro, dispneia, taquicardia e oligúria. No exame clínico encontra-se com bulhas rítmicas, SatO₂ 84%, pressão arterial 100/75 mmHg e frequência cardíaca 122 bpm. Exames laboratoriais com CPK 15.300 U/L, troponina 0,03ng/mL, K 6,5mmol/L e acidose metabólica. ECG com taquicardia sinusal. Ecodopplercardiograma normal. Sua hipótese é:
Pós-embolectomia + dor/dispneia/oligúria + ↑CPK/K/acidose = Síndrome Isquemia Reperfusão.
A síndrome de isquemia-reperfusão ocorre após o restabelecimento do fluxo sanguíneo em um membro isquêmico. A liberação de metabólitos tóxicos, potássio e mioglobina causa rabdomiólise, hipercalemia, acidose metabólica e pode levar a lesão renal aguda e disfunção cardiopulmonar.
A Síndrome de Isquemia Reperfusão é uma complicação grave e potencialmente fatal que pode ocorrer após a revascularização de um membro que sofreu isquemia prolongada, como no caso de uma oclusão arterial aguda tratada com embolectomia. A isquemia prolongada leva ao acúmulo de metabólitos tóxicos, radicais livres e potássio nas células musculares. Ao restabelecer o fluxo sanguíneo (reperfusão), esses produtos são liberados na circulação sistêmica, desencadeando uma cascata de eventos inflamatórios e metabólicos. Clinicamente, o paciente pode apresentar dor intensa e edema no membro revascularizado, além de manifestações sistêmicas como dispneia, taquicardia, hipotensão e oligúria. Os exames laboratoriais são cruciais para o diagnóstico, revelando elevação acentuada de creatinoquinase (CPK) devido à rabdomiólise, hipercalemia grave (risco de arritmias cardíacas), e acidose metabólica. A mioglobinúria pode levar à lesão renal aguda. O manejo da síndrome de isquemia reperfusão é uma emergência médica e foca no suporte intensivo. Inclui a correção da hipercalemia (com glicose-insulina, bicarbonato, gluconato de cálcio), tratamento da acidose metabólica, hidratação vigorosa para prevenir lesão renal aguda por mioglobina e, em casos de edema muscular significativo, a realização de fasciotomia de emergência para prevenir ou tratar a síndrome compartimental. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são essenciais para melhorar o prognóstico.
Os sinais incluem dor e edema no membro revascularizado, além de manifestações sistêmicas como dispneia, taquicardia, oligúria, arritmias e hipotensão, devido à liberação de substâncias tóxicas.
Elevação acentuada de CPK (rabdomiólise), hipercalemia, acidose metabólica e, em casos graves, elevação de ureia e creatinina (lesão renal aguda) são achados típicos.
O tratamento é de suporte, visando corrigir as alterações metabólicas (hipercalemia, acidose), prevenir a lesão renal aguda (hidratação, diuréticos) e, se necessário, realizar fasciotomia para síndrome compartimental.
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