CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2017
Paciente apresenta, iridotomia patente, pressão intraocular de 25 mmHg, neuropatia óptica glaucomatosa e campimetria com lesão típica de glaucoma. Além disso, apresenta os seguintes achados na UBM e gonioscopia. Qual a melhor conduta para este paciente?
Ângulo fechado persistente com iridotomia patente + configuração de platô na UBM → Iridoplastia.
A Síndrome da Íris em Platô ocorre quando processos ciliares anteriores empurram a periferia da íris contra o ângulo, exigindo iridoplastia para retrair o estroma e abrir a via de drenagem.
O caso descreve um paciente com glaucoma de ângulo fechado que mantém PIO elevada e ângulo estreito apesar de uma iridotomia patente. Isso exclui o bloqueio pupilar como mecanismo principal. A menção à UBM (Biomicroscopia Ultrassônica) é a dica clássica para a Síndrome da Íris em Platô. Nesta condição, a configuração anatômica dos processos ciliares mantém o ângulo mecanicamente fechado. A iridoplastia periférica a laser é o procedimento que visa compactar o estroma periférico da íris, afastando-o da malha trabecular. Diferente da trabeculoplastia (que exige ângulo aberto) ou goniotomia (usada em glaucoma congênito), a iridoplastia atua diretamente na causa anatômica do fechamento neste cenário específico.
Na gonioscopia, a Síndrome da Íris em Platô é caracterizada por uma câmara anterior central de profundidade normal, mas com um ângulo perifericamente estreito ou fechado. Ao realizar a gonioscopia de indentação, observa-se o 'sinal do degrau' ou 'sinal da dupla corcova', onde a periferia da íris é empurrada para frente pelos processos ciliares posicionados anteriormente, impedindo a visualização das estruturas do ângulo mesmo com a pressão do gonioscópio. É fundamental diferenciar do bloqueio pupilar, que se resolve com a iridotomia, enquanto o platô persiste.
A iridoplastia periférica a laser (Argon Laser Peripheral Iridoplasty - ALPI) utiliza disparos de laser de argônio de baixa energia, longa duração e grande diâmetro na periferia extrema da íris. O objetivo não é perfurar o tecido (como na iridotomia), mas sim causar uma contração térmica do estroma da íris. Essa contração 'puxa' a íris para longe do ângulo camerular, abrindo o espaço e facilitando o acesso do humor aquoso à malha trabecular, sendo o tratamento definitivo para o componente anatômico da íris em platô.
A Biomicroscopia Ultrassônica (UBM) é o padrão-ouro para o diagnóstico da configuração de íris em platô. Ela permite a visualização direta das estruturas atrás da íris, que não são visíveis ao exame de lâmpada de fenda. Na UBM, observa-se processos ciliares inseridos anteriormente ou rodados para frente, que sustentam a periferia da íris contra o trabéculo, além da ausência de bloqueio pupilar (confirmada pela iridotomia patente). Esse achado anatômico confirma a necessidade de iridoplastia em vez de tratamentos voltados apenas para o bloqueio pupilar.
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