Síndrome da Íris em Platô: Diagnóstico e Achados na UBM

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020

Enunciado

Paciente fácico, com quadro de ângulo fechado a despeito da iridotomia pérvia, goniossinéquias em menos de 180 graus e sinal da dupla corcova presente. Sobre a biomicroscopia ultrassônica desse paciente, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Imagens com apagamento do sulco ciliar e anteriorização do corpo ciliar reforçam a principal hipótese diagnóstica.
  2. B) Haverá a necessidade de complementar o exame com ultrassom de alto ganho.
  3. C) Apenas na posição supina, o examinador conseguirá ver anteriorização do corpo ciliar.
  4. D) Sinais clássicos de íris bombé serão identificados pelo exame.

Pérola Clínica

Íris em platô = Ângulo fechado persistente pós-iridotomia + corpo ciliar anteriorizado na UBM.

Resumo-Chave

A Síndrome da Íris em Platô é uma causa de glaucoma de ângulo fechado não dependente de bloqueio pupilar, causada por anomalia anatômica do corpo ciliar.

Contexto Educacional

A Síndrome da Íris em Platô representa um desafio diagnóstico no espectro do glaucoma de ângulo fechado. Enquanto a maioria dos casos de fechamento angular decorre de bloqueio pupilar (onde a pressão na câmara posterior empurra a íris), no platô o mecanismo é puramente anatômico estrutural. O corpo ciliar é grande ou está posicionado muito à frente, servindo como um 'degrau' que projeta a íris contra a malha trabecular. Clinicamente, o diagnóstico é suspeitado quando a goniocopia revela um ângulo fechado em um olho com câmara anterior central profunda e iridotomia funcional. A UBM revolucionou o entendimento desta patologia ao demonstrar o apagamento do sulco ciliar. É uma condição importante de ser reconhecida, pois o uso de midriáticos para exames de fundo de olho pode desencadear crises de glaucoma agudo mesmo em olhos já submetidos a laser prévio.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Síndrome da Íris em Platô na goniocopia?

Na goniocopia, a síndrome da íris em platô manifesta-se pelo 'sinal da dupla corcova' (double hump sign) durante a manobra de indentação. A primeira corcova é formada pela lente (cristalino) e a segunda pela periferia da íris sendo empurrada para frente pelo corpo ciliar anteriorizado. Diferente do bloqueio pupilar, a câmara anterior central costuma ter profundidade normal, mas o ângulo é estreito ou fechado devido à inserção anterior da íris ou ao suporte ciliar anormal.

Qual o papel da UBM no diagnóstico desta síndrome?

A Biomicroscopia Ultrassônica (UBM) é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico. Ela permite visualizar estruturas atrás da íris que não são vistas na lâmpada de fenda. Os achados clássicos incluem: corpo ciliar posicionado anteriormente (anteriorizado), apagamento ou ausência do sulco ciliar, e a periferia da íris angulada abruptamente em direção ao trabeculado. O exame confirma que o fechamento angular persiste mesmo na presença de uma comunicação patente entre as câmaras anterior e posterior (iridotomia).

Como é feito o tratamento da íris em platô?

O tratamento inicial para qualquer ângulo fechado é a iridotomia periférica a laser para eliminar o componente de bloqueio pupilar. Se o ângulo permanecer fechado ou oclusível após a iridotomia (configuração de íris em platô), o tratamento de escolha é a iridoplastia periférica a laser de argônio (ALPI). A iridoplastia cria queimaduras na periferia da íris, causando contração do estroma e 'puxando' o tecido para longe do ângulo, mantendo-o aberto. Em casos refratários, o controle da pressão intraocular com colírios ou cirurgia filtrante pode ser necessário.

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