IFIS e Tansulosina: Riscos na Cirurgia de Catarata

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020

Enunciado

Qual das condições abaixo está associada a maior risco de síndrome de íris flácida peroperatória (IFIS)?

Alternativas

  1. A) Ciclite heterocrômica de Fuchs.
  2. B) Glaucoma em uso de colírio de prostaglandina.
  3. C) Hiperplasia prostática benigna em uso de tansulosina.
  4. D) Asma em tratamento com corticoide oral.

Pérola Clínica

Tansulosina → IFIS (íris flácida, prolapso e miose intraoperatória) na cirurgia de catarata.

Resumo-Chave

O uso de tansulosina para HPB está fortemente associado à IFIS, caracterizada por uma tríade de instabilidade da íris durante a facoemulsificação, mesmo após suspensão da droga.

Contexto Educacional

A IFIS foi descrita pela primeira vez em 2005 e tornou-se uma preocupação central na cirurgia de catarata moderna. Embora outros medicamentos (como outros bloqueadores alfa-1, antipsicóticos e neuromoduladores) possam causar a síndrome, a tansulosina é o agente mais potente e frequentemente associado. A relevância clínica reside no aumento do risco de complicações intraoperatórias, como ruptura da cápsula posterior e perda vítrea, se a síndrome não for antecipada. Estudos mostram que mesmo o uso de curto prazo ou o uso interrompido há anos pode resultar em IFIS, sugerindo uma alteração farmacológica ou anatômica duradoura no estroma iriano. Portanto, a anamnese detalhada sobre medicamentos para HPB é obrigatória em todo paciente candidato à facoemulsificação.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a tríade da IFIS?

A Síndrome da Íris Flácida Peroperatória (IFIS) é definida por três sinais clássicos durante a cirurgia de catarata: 1) Flacidez do estroma da íris, que ondula em resposta às correntes de irrigação intraoperatórias; 2) Propensão da íris ao prolapso em direção às incisões cirúrgicas; e 3) Miose progressiva (constrição pupilar) durante o procedimento, apesar de midriáticos pré-operatórios adequados.

Por que a tansulosina causa IFIS?

A tansulosina é um bloqueador seletivo dos receptores alfa-1A adrenérgicos. Esses receptores também estão presentes no músculo dilatador da íris. O bloqueio crônico causa atrofia ou perda de tônus desse músculo. Como a tansulosina tem alta afinidade e ligação prolongada, a íris perde sua rigidez estrutural, tornando-se 'flácida' durante as manobras cirúrgicas da facoemulsificação.

Como o cirurgião deve manejar um paciente com risco de IFIS?

O manejo inclui o uso de adrenalina intracameral (para estimular os receptores alfa), viscoelásticos de alta viscosidade (Healon5) para manter a pupila aberta, e dispositivos mecânicos de expansão pupilar, como anéis de Malyugin ou ganchos de íris. É crucial que o paciente informe o uso de tansulosina na avaliação pré-operatória para que o cirurgião se prepare para essas dificuldades técnicas.

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