CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014
Assinale a alternativa correta em relação à síndrome da íris flácida peroperatória (intraoperative floppy iris syndrome).
Tansulosina → Síndrome da íris flácida (IFIS) com tríade: íris flácida, miose progressiva e prolapso.
O uso de bloqueadores alfa-1 (especialmente tansulosina) causa atrofia do músculo dilatador da íris, resultando em instabilidade mecânica durante a facoemulsificação.
A Síndrome da Íris Flácida Peroperatória (IFIS) foi descrita pela primeira vez em 2005 por Chang e Campbell, associando-a ao uso da tansulosina. Embora outros bloqueadores alfa-1 (como doxazosina ou terazosina) também possam causar a síndrome, a tansulosina apresenta o maior risco devido à sua alta seletividade pelos receptores alfa-1A. O manejo pré-operatório exige uma anamnese cuidadosa, questionando especificamente sobre medicamentos para próstata ou hipertensão. A suspensão da droga raramente reverte a condição, portanto, o cirurgião deve estar preparado com técnicas de suporte, como o uso de viscoelásticos de alta viscosidade (Healon5), redução dos parâmetros de fluxo e o uso de dispositivos mecânicos de expansão pupilar para garantir a segurança do procedimento.
A Síndrome da Íris Flácida Peroperatória (IFIS) é caracterizada por três sinais clássicos durante a cirurgia de catarata: 1) Estroma de íris flácido que ondula em resposta às correntes de fluido intraoculares normais; 2) Propensão da íris para o prolapso em direção às incisões cirúrgicas; 3) Miose progressiva (constrição da pupila) apesar dos esforços farmacológicos padrão para manter a midríase.
A tansulosina é um antagonista seletivo dos receptores alfa-1A adrenérgicos, usados no tratamento da hiperplasia prostática benigna. Esses receptores também estão presentes no músculo dilatador da íris. O bloqueio crônico desses receptores leva a uma atrofia e perda de tônus do músculo dilatador, tornando a íris mecanicamente instável e incapaz de manter a dilatação durante as manobras cirúrgicas de pressão positiva.
A IFIS aumenta significativamente a complexidade da cirurgia de catarata. A pupila pequena e a íris instável dificultam a visualização, aumentando o risco de trauma de íris, ruptura da cápsula posterior, perda vítrea e queda de fragmentos do cristalino para o segmento posterior. Estratégias como o uso de expansores pupilares (anéis de Malyugin) ou adrenalina intracameral são frequentemente necessárias.
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