CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Durante a cirurgia de catarata, observa-se constante exteriorização da íris pela incisão principal e redução da midríase. Sobre possíveis fatores de risco e condutas nesse caso, assinale a correta dentre as alternativas abaixo:
IFIS = tríade de íris flácida, prolapso e miose progressiva; anel de Malyugin é conduta eficaz.
A IFIS é uma complicação cirúrgica associada ao uso de bloqueadores alfa-1, caracterizada por instabilidade iriana que requer dispositivos de expansão pupilar.
A IFIS transformou o planejamento da cirurgia de catarata desde sua descrição em 2005. O cirurgião deve sempre questionar o paciente sobre o uso de medicamentos para hiperplasia prostática benigna (HPB), como a tansulosina e a doxazosina. A física da cirurgia é alterada na IFIS: a pressão do fluido na câmara anterior empurra a íris flácida para fora pelas incisões. O uso de anéis expansores (Malyugin) fornece um suporte mecânico de 360 graus, sendo superior ao simples aumento da pressão com viscoelástico, que é temporário e pode ser removido durante a aspiração.
A IFIS está fortemente associada ao uso sistêmico de antagonistas dos receptores alfa-1 adrenérgicos, sendo a tansulosina o fármaco mais implicado. Esses receptores estão presentes no músculo dilatador da íris; seu bloqueio crônico causa atrofia e perda de tônus muscular, resultando em uma íris que não dilata bem e se torna 'flácida' durante a cirurgia. Curiosamente, a suspensão do medicamento dias antes da cirurgia muitas vezes não previne a síndrome, sugerindo mudanças estruturais permanentes ou de longa duração no estroma iriano.
A tríade clássica da IFIS descrita por Chang e Campbell consiste em: 1) Estroma iriano flácido que ondula em resposta às correntes normais de irrigação intraocular; 2) Propensão acentuada da íris para o prolapso em direção às incisões (principal e paracentese), mesmo com arquitetura de incisão adequada; e 3) Miose progressiva intraoperatória, apesar do uso de midriáticos pré-operatórios padrão. Esses sinais aumentam significativamente o risco de ruptura de cápsula posterior e perda vítrea.
O manejo envolve estratégias farmacológicas e mecânicas. Farmacologicamente, o uso de epinefrina intracameral ou fenilefrina (Shugarcaine) pode ajudar a estabilizar o tônus iriano. Mecanicamente, o uso de viscoelásticos dispersivos pesados pode ajudar a manter a íris no lugar. No entanto, em casos moderados a graves, dispositivos de expansão pupilar, como o anel de Malyugin ou ganchos de íris, são as condutas mais seguras e eficazes para garantir uma midríase estável e evitar o prolapso constante pela incisão.
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