IFIS na Cirurgia de Catarata: Manejo e Tansulosina

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Homem, 78 anos, apresenta queixa de diminuição progressiva da visão há três anos. Tem histórico de ressecção transuretral em razão de hiperplasia prostática benigna há cinco anos. Ao exame oftalmológico apresenta catarata nuclear densa, íris trófica, sem iridodonese ou regiões de atrofia. Sobre este caso, assinale a alternativa correta, dentre as abaixo.

Alternativas

  1. A) A suspensão dos alfa-bloqueadores como tansulosina antes da cirurgia de catarata diminui a probabilidade de ocorrência da síndrome de íris flácida do peroperatório.
  2. B) A confecção de uma incisão de 2,75 mm de largura e em torno de 1 mm de comprimento auxilia a reduzir a probabilidade de hérnia de íris.
  3. C) A colocação da altura da garrafa em 50 cm e taxa de fluxo de 40 cm3/min durante a facoemulsificação é eficaz em reduzir a atrofia iriana no pós-operatório.
  4. D) O uso de dispositivos intraoculares como o anel de Malyugin diminui a probabilidade de lesões irianas no peroperatório.

Pérola Clínica

Tansulosina → IFIS (íris flácida, miose, prolapso). Anel de Malyugin = padrão-ouro para manejo mecânico.

Resumo-Chave

A IFIS é causada pelo uso de alfa-1 bloqueadores; a suspensão da droga não previne a síndrome, sendo necessário o uso de expansores pupilares como o anel de Malyugin.

Contexto Educacional

A IFIS (Intraoperative Floppy Iris Syndrome) foi descrita pela primeira vez em 2005 por Chang e Campbell, associada ao uso de tansulosina para hiperplasia prostática benigna. A fisiopatologia envolve o bloqueio crônico dos receptores alfa-1A adrenérgicos presentes no músculo dilatador da íris, levando à perda do tônus muscular. O manejo cirúrgico exige cautela extrema, pois a miose progressiva e a flacidez iriana aumentam significativamente o risco de ruptura da cápsula posterior e perda vítrea. Além do anel de Malyugin, outras opções incluem ganchos de íris e a técnica de 'shingling'. O planejamento pré-operatório com a identificação de pacientes em uso de alfa-bloqueadores (incluindo doxazosina e terazosina) é o passo mais importante para o sucesso cirúrgico.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a tríade da IFIS?

A Síndrome da Íris Flácida Intraoperatória (IFIS) é caracterizada por uma tríade clássica observada durante a facoemulsificação: 1) Íris flácida que ondula em resposta às correntes de fluido intraoculares normais; 2) Tendência progressiva à miose (constrição pupilar) apesar das manobras dilatadoras pré-operatórias; e 3) Propensão da íris a prolapsar em direção às incisões cirúrgicas (paracentese ou incisão principal).

Suspender a tansulosina ajuda a evitar a IFIS?

Não há evidências robustas de que a suspensão da tansulosina antes da cirurgia de catarata diminua a incidência ou a gravidade da IFIS. O bloqueio dos receptores alfa-1A no músculo dilatador da íris parece causar uma atrofia ou alteração estrutural permanente. Portanto, o cirurgião deve estar preparado para manejar a síndrome mecanicamente ou farmacologicamente, independentemente da interrupção do medicamento.

Quais são as estratégias de manejo para IFIS?

As estratégias incluem: uso de midriáticos intracamerais potentes (como a epinefrina ou fenilefrina sem conservantes), uso de viscoelásticos dispersivos pesados (Healon5) para manter a íris no lugar, e o uso de dispositivos mecânicos de expansão pupilar. O anel de Malyugin é o dispositivo mais utilizado, pois mantém a pupila dilatada de forma estável e protege a margem pupilar de traumas durante a facoemulsificação.

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