Tansulosina e IFIS: Riscos na Cirurgia de Catarata

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2016

Enunciado

Qual dos medicamentos abaixo está mais provavelmente relacionado com a intercorrência ilustrada pela figura durante a cirurgia de catarata?

Alternativas

  1. A) Ivermectina
  2. B) Carbamazepina
  3. C) Tansulosina
  4. D) Ribavirina

Pérola Clínica

Tansulosina → Síndrome da Íris Flácida Intraoperatória (IFIS) na cirurgia de catarata.

Resumo-Chave

O uso de antagonistas alfa-1 adrenérgicos, como a tansulosina, causa relaxamento do músculo dilatador da íris, levando a complicações intraoperatórias.

Contexto Educacional

A Síndrome da Íris Flácida Intraoperatória (IFIS) foi descrita pela primeira vez em 2005 e está fortemente ligada ao uso de tansulosina para hiperplasia prostática benigna. A fisiopatologia envolve o bloqueio prolongado dos receptores alfa-1A, resultando em atrofia do músculo dilatador da íris. Durante a facoemulsificação, a instabilidade da íris aumenta o risco de ruptura da cápsula posterior e perda vítrea. É fundamental a anamnese medicamentosa detalhada, pois outros fármacos como doxazosina, terazosina e até alguns antipsicóticos podem ter efeitos similares, embora menos intensos que a tansulosina.

Perguntas Frequentes

O que é a Síndrome da Íris Flácida Intraoperatória (IFIS)?

A IFIS é uma tríade de sinais observados durante a cirurgia de catarata: íris flácida que ondula com a irrigação, tendência ao prolapso da íris pelas incisões e miose progressiva intraoperatória. Ela ocorre principalmente em pacientes que utilizam ou utilizaram bloqueadores alfa-1 adrenérgicos, que promovem o relaxamento do músculo dilatador da íris.

Por que a tansulosina é o principal fármaco associado?

A tansulosina é um bloqueador alfa-1A seletivo, subtipo de receptor altamente prevalente no músculo dilatador da íris. Ao bloquear esses receptores, a droga impede a dilatação pupilar adequada e torna o estroma iriano 'frouxo'. Mesmo após a interrupção do medicamento, as alterações estruturais podem persistir, tornando a cirurgia desafiadora.

Como o cirurgião deve proceder em casos de suspeita de IFIS?

O cirurgião deve ser informado sobre o uso de tansulosina previamente. As estratégias incluem o uso de expansores pupilares (anéis de Malyugin), ganchos de íris, viscoelásticos de alta viscosidade (Healon5) ou a administração intracamerular de fenilefrina/epinefrina para tentar estabilizar a íris e manter a midríase.

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