CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
A probabilidade de uso de retratores irianos é maior na vigência do tratamento clínico de qual das comorbidades abaixo?
Tansulosina → Síndrome da Íris Flácida (IFIS) → Miose intraop + Prolapso de íris → Uso de retratores.
O uso de tansulosina para HPB causa relaxamento permanente do músculo dilatador da íris, levando à Síndrome da Íris Flácida Intraoperatória (IFIS), exigindo dispositivos de expansão pupilar.
A associação entre medicamentos sistêmicos e complicações oculares é um tema recorrente em exames de residência e na prática clínica. A tansulosina, amplamente prescrita para Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), é o fármaco mais fortemente associado à IFIS devido à sua alta afinidade pelos receptores alfa-1A. Embora outros bloqueadores alfa-1 (como doxazosina ou terazosina) também possam causar a síndrome, a tansulosina apresenta o maior risco. Para o médico residente, é crucial realizar uma anamnese medicamentosa detalhada em pacientes candidatos à cirurgia de catarata. A detecção precoce permite que o oftalmologista se prepare com insumos específicos, como os retratores irianos, minimizando os riscos de trauma uveal e garantindo a segurança do procedimento.
A IFIS é uma tríade de sinais observados durante a cirurgia de catarata (facoemulsificação) em pacientes que utilizam ou utilizaram antagonistas alfa-1 adrenérgicos, como a tansulosina. Os sinais incluem: 1) Íris flácida que ondula em resposta às correntes de irrigação intraoculares; 2) Tendência progressiva da pupila à miose (fechamento) durante o procedimento; 3) Propensão da íris a prolapsar em direção às incisões cirúrgicas. Essa condição aumenta significativamente o risco de complicações, como ruptura da cápsula posterior e perda de vítreo, exigindo técnicas e dispositivos especiais para manter a pupila dilatada.
A tansulosina é um bloqueador seletivo dos receptores alfa-1A adrenérgicos, localizados tanto na próstata quanto no músculo dilatador da íris. Ao bloquear esses receptores na íris, o medicamento impede a contração eficaz do músculo dilatador, resultando em uma pupila que não dilata bem com midriáticos convencionais e que perde seu tônus estrutural. Estudos sugerem que o uso crônico pode causar atrofia do músculo dilatador, o que explica por que o efeito 'flácido' pode persistir por meses ou anos mesmo após a interrupção do medicamento, tornando a suspensão pré-operatória de valor limitado.
Quando o risco de IFIS é identificado (história de uso de tansulosina), o cirurgião pode adotar várias estratégias. O uso de retratores irianos (pequenos ganchos que seguram a borda da íris) ou anéis de expansão pupilar (como o anel de Malyugin) é a conduta mais comum para garantir um campo visual cirúrgico seguro. Além disso, podem ser utilizadas injeções intracamerais de adrenalina ou fenilefrina (midriáticos potentes) e o uso de viscoelásticos mais pesados (dispersivos) para estabilizar a íris mecanicamente. O conhecimento prévio do uso da medicação é o fator mais importante para o sucesso cirúrgico.
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