CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025
Um homem de 78 anos, diabético e usuário de doxasozina de longa data, apresenta à lâmpada de fenda: profundidade da câmara anterior média, íris trófica, midríase farmacológica de 5,5 mm e catarata nuclear 3+. Ao mapeamento de retina, nota-se retinopatia diabética não proliferativa moderada. Sobre o planejamento da cirurgia de catarata nesse caso, assinale a alternativa correta.
Alfa-1 bloqueadores → IFIS; AINEs pré-op → ↑ Estabilidade pupilar e ↓ Edema Macular Cistoide.
Pacientes em uso de doxazosina têm alto risco de IFIS. O uso de AINEs no perioperatório é fundamental para manter a midríase e prevenir o edema macular cistoide, comum em diabéticos.
A cirurgia de catarata em pacientes diabéticos e usuários de alfa-bloqueadores exige planejamento rigoroso. A doxazosina, utilizada para hipertensão ou hiperplasia prostática, predispõe à IFIS, dificultando a visualização e aumentando o risco de ruptura de cápsula posterior. O uso de AINEs tópicos (como nepafenaco ou cetorolaco) é uma estratégia baseada em evidências para otimizar o desfecho visual, prevenindo a miose e o edema macular, que é a principal causa de baixa acuidade visual pós-operatória em diabéticos.
A IFIS é caracterizada por uma tríade clássica durante a cirurgia de catarata: íris flácida que ondula em resposta às correntes de irrigação, tendência ao prolapso da íris pelas incisões e miose progressiva intraoperatória. Está fortemente associada ao uso de antagonistas alfa-1 adrenérgicos, como a tansulosina e a doxazosina, que causam atrofia do músculo dilatador da íris. O manejo exige técnicas específicas, como o uso de viscoelásticos pesados ou expansores pupilares.
Não há evidências robustas de que a suspensão de bloqueadores alfa-1 adrenérgicos, como a doxazosina, previna a ocorrência de IFIS, pois as alterações estruturais na íris podem ser permanentes. A conduta mais aceita é manter a medicação e alertar o cirurgião para que ele esteja preparado para manejar as complicações intraoperatórias com dispositivos de expansão pupilar ou manobras específicas, garantindo a segurança do procedimento.
O uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) tópicos no pré e peroperatório auxilia na manutenção da midríase durante a cirurgia, inibindo a síntese de prostaglandinas induzida pelo trauma cirúrgico. Além disso, em pacientes com fatores de risco como diabetes mellitus, os AINEs são eficazes na redução da incidência de edema macular cistoide (EMC) no pós-operatório imediato, estabilizando a barreira hemato-retiniana.
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