Cirurgia de Catarata e Síndrome da Íris Flácida (IFIS)

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 78 anos, diabético e usuário de doxasozina de longa data, apresenta à lâmpada de fenda: profundidade da câmara anterior média, íris trófica, midríase farmacológica de 5,5 mm e catarata nuclear 3+. Ao mapeamento de retina, nota-se retinopatia diabética não proliferativa moderada. Sobre o planejamento da cirurgia de catarata nesse caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A realização de uma incisão próxima do limbo com maior largura e menor comprimento diminui o risco de queimadura da incisão e hérnia de íris no peroperatório.
  2. B) Deve-se orientar a suspensão do bloqueador alfa-1 adrenérgico por pelo menos três semanas antes da cirurgia para evitar a ocorrência da síndrome da íris flácida no peroperatório.
  3. C) O uso de expansores pupilares deve ser evitado ao máximo e, caso necessário, implantados somente quando a íris flácida estiver evidente - preferencialmente após a capsulorrexe ter sido concluída.
  4. D) O uso de anti-inflamatórios não esteroidais no pré e peroperatório estão associados a melhor dilatação pupilar e menor incidência de edema macular cistoide no curto prazo.

Pérola Clínica

Alfa-1 bloqueadores → IFIS; AINEs pré-op → ↑ Estabilidade pupilar e ↓ Edema Macular Cistoide.

Resumo-Chave

Pacientes em uso de doxazosina têm alto risco de IFIS. O uso de AINEs no perioperatório é fundamental para manter a midríase e prevenir o edema macular cistoide, comum em diabéticos.

Contexto Educacional

A cirurgia de catarata em pacientes diabéticos e usuários de alfa-bloqueadores exige planejamento rigoroso. A doxazosina, utilizada para hipertensão ou hiperplasia prostática, predispõe à IFIS, dificultando a visualização e aumentando o risco de ruptura de cápsula posterior. O uso de AINEs tópicos (como nepafenaco ou cetorolaco) é uma estratégia baseada em evidências para otimizar o desfecho visual, prevenindo a miose e o edema macular, que é a principal causa de baixa acuidade visual pós-operatória em diabéticos.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Síndrome da Íris Flácida Intraoperatória (IFIS)?

A IFIS é caracterizada por uma tríade clássica durante a cirurgia de catarata: íris flácida que ondula em resposta às correntes de irrigação, tendência ao prolapso da íris pelas incisões e miose progressiva intraoperatória. Está fortemente associada ao uso de antagonistas alfa-1 adrenérgicos, como a tansulosina e a doxazosina, que causam atrofia do músculo dilatador da íris. O manejo exige técnicas específicas, como o uso de viscoelásticos pesados ou expansores pupilares.

A suspensão da doxazosina antes da cirurgia de catarata é recomendada?

Não há evidências robustas de que a suspensão de bloqueadores alfa-1 adrenérgicos, como a doxazosina, previna a ocorrência de IFIS, pois as alterações estruturais na íris podem ser permanentes. A conduta mais aceita é manter a medicação e alertar o cirurgião para que ele esteja preparado para manejar as complicações intraoperatórias com dispositivos de expansão pupilar ou manobras específicas, garantindo a segurança do procedimento.

Qual o benefício do uso de AINEs no pré-operatório da catarata?

O uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) tópicos no pré e peroperatório auxilia na manutenção da midríase durante a cirurgia, inibindo a síntese de prostaglandinas induzida pelo trauma cirúrgico. Além disso, em pacientes com fatores de risco como diabetes mellitus, os AINEs são eficazes na redução da incidência de edema macular cistoide (EMC) no pós-operatório imediato, estabilizando a barreira hemato-retiniana.

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