CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Assinale a alternativa que contém, respectivamente, um medicamento associado à ocorrência da síndrome da íris flácida no peroperatório e uma intervenção adequada para restabelecimento da midríase nesses casos.
Alfa-bloqueadores (Tamsulosina/Clorpromazina) → Síndrome da Íris Flácida (IFIS) → Usar retratores ou anéis.
A IFIS é causada pelo bloqueio de receptores alfa-1 no músculo dilatador da íris, exigindo dispositivos mecânicos para manter a midríase durante a cirurgia.
A Síndrome da Íris Flácida Intraoperatória (IFIS) representa um desafio significativo na cirurgia de catarata moderna. Sua fisiopatologia está ligada ao bloqueio prolongado dos receptores alfa-1 adrenérgicos no músculo dilatador da íris, o que leva à atrofia muscular e perda de tônus. Embora a tamsulosina seja o principal culpado devido à sua alta afinidade pelos receptores alfa-1A, medicamentos como a clorpromazina (um antipsicótico típico) também apresentam atividade antagonista alfa-adrenérgica periférica, justificando sua associação com a síndrome. O manejo intraoperatório foca na estabilização mecânica da íris. O uso de retratores de íris ou anéis expansores é a intervenção mais eficaz para garantir uma midríase estável e prevenir o prolapso da íris. O conhecimento prévio do uso dessas medicações pelo paciente permite ao cirurgião antecipar a instabilidade e utilizar técnicas como a injeção de adrenalina intracameral ou o ajuste dos parâmetros de dinâmica de fluidos da máquina de facoemulsificação para mitigar riscos.
A IFIS é uma tríade clínica observada durante a cirurgia de catarata, caracterizada por uma íris flácida que ondula em resposta às correntes normais de irrigação intraocular, uma tendência acentuada da íris para o prolapso em direção às incisões cirúrgicas (tanto a principal quanto as paracentese) e uma miose progressiva apesar das manobras midriáticas pré-operatórias padrão. Essa condição aumenta significativamente o risco de complicações, como a ruptura da cápsula posterior e a perda de vítreo, devido à visualização inadequada e à instabilidade mecânica da íris durante a facoemulsificação. O reconhecimento precoce e o planejamento cirúrgico são fundamentais para garantir a segurança do paciente.
Embora a tamsulosina, um antagonista seletivo dos receptores alfa-1A adrenérgicos utilizado para hiperplasia prostática benigna, seja o agente mais frequentemente associado, outros medicamentos também podem desencadear a síndrome. Isso inclui outros alfa-bloqueadores não seletivos como doxazosina, terazosina e alfuzosina. Além disso, neurolépticos como a clorpromazina e a risperidona, que possuem propriedades de bloqueio alfa-adrenérgico, também foram implicados. É crucial realizar uma anamnese detalhada, pois mesmo a interrupção temporária da medicação antes da cirurgia pode não prevenir a ocorrência da IFIS, sugerindo uma alteração estrutural permanente ou de longa duração no músculo dilatador da íris.
O manejo da IFIS exige uma abordagem escalonada dependendo da gravidade da flacidez e da miose. As estratégias incluem o uso de expansores pupilares mecânicos, como os anéis de Malyugin ou retratores de íris de nylon, que fornecem uma pupila estável e de tamanho fixo durante todo o procedimento. Outras opções envolvem a injeção de adrenalina intracameral (isenta de conservantes) para aumentar o tônus do dilatador ou o uso de viscoelásticos altamente coesivos (técnica de "soft-shell") para manter a pupila mecanicamente aberta. A modificação da técnica de facoemulsificação, reduzindo os parâmetros de fluxo e vácuo para diminuir a turbulência na câmara anterior, também é recomendada para minimizar a movimentação da íris.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo