MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um lactente do sexo masculino, com 22 dias de vida, é internado na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica com quadro de diarreia aquosa profusa, desidratação grave e acidose metabólica. Durante a investigação, observa-se hiperglicemia persistente (glicemia de jejum > 250 mg/dL), exigindo insulinoterapia precoce. O exame físico revela uma dermatite eczematosa grave e generalizada. Os exames laboratoriais demonstram níveis elevados de IgE e eosinofilia, enquanto a biópsia intestinal revela atrofia vilosa subtotal com infiltrado linfocitário denso na lâmina própria. Considerando a integração entre falha na tolerância imunológica e a apresentação clínica, qual é o mecanismo celular e molecular primário dessa patologia?
Diabetes Mellitus em um recém-nascido (neonatal) associado a diarreia intratável e eczema deve sempre levantar a suspeita de Síndrome IPEX, uma emergência imunológica ligada ao cromossomo X.
A Síndrome IPEX (Imunodesregulação, Poliendocrinopatia, Enteropatia ligada ao X) é uma imunodeficiência primária rara e grave causada por mutações no gene FOXP3. Este gene codifica um fator de transcrição essencial para a linhagem de células T reguladoras (Tregs). Sem Tregs funcionais, o corpo perde a capacidade de controlar linfócitos T autorreativos que escaparam da seleção tímica, resultando em um ataque autoimune agressivo a múltiplos órgãos logo nas primeiras semanas de vida. O quadro clínico é dominado por diarreia intratável devido à enteropatia autoimune, diabetes mellitus insulino-dependente de início neonatal e dermatite eczematosa. Outras manifestações incluem tireoidite, citopenias autoimunes e níveis elevados de IgE com eosinofilia. A suspeita clínica em lactentes do sexo masculino com essa tríade deve levar imediatamente ao sequenciamento genético ou avaliação de expressão de FOXP3 por citometria de fluxo. O tratamento envolve imunossupressão agressiva (ciclosporina, tacrolimus, sirolimus) para controle dos sintomas, mas o transplante de medula óssea é a intervenção definitiva. Sem tratamento, o prognóstico é reservado, com alta mortalidade nos primeiros anos de vida devido a complicações metabólicas ou infecciosas.
Porque o gene FOXP3 está localizado no cromossomo X; como é uma herança recessiva ligada ao X, os meninos (XY) manifestam a doença com apenas um alelo mutado.
O transplante de células-tronco hematopoiéticas (TMO) é a única cura, visando substituir o sistema imune defeituoso por um capaz de produzir Tregs funcionais.
A diarreia no IPEX é autoimune, extremamente grave, leva à atrofia total das vilosidades e geralmente vem acompanhada de outras manifestações autoimunes, como o diabetes neonatal, que não ocorre em alergias comuns.
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