Síndrome do Intestino Irritável: Diagnóstico e Sinais Chave

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 28 anos é avaliada em unidade básica de saúde com queixa de diarreia crônica. A paciente refere estar preocupada, pois sua mãe e irmã têm doença de Crohn. Ela relata que a diarreia tem 2 anos de evolução, sendo, às vezes, intercalada por períodos de constipação intestinal. Afirma, também, que nunca foi despertada do sono em função da diarreia e que há dor abdominal recorrente que sempre alivia com a evacuação. Refere que não notou emagrecimento ao longo desse período e afirma, ainda, que as fezes não flutuam no vaso sanitário nem contêm muco, pus ou sangue. Ao exame físico, a paciente revela-se eutrófica (índice de massa corporal de 25 kg/m²), normocorada, acianótica, sem edemas e com sinais vitais normais. O resultado de sua colonoscopia está normal e ela ainda aguarda o resultado do exame histopatológico. Acerca do caso relatado, a principal hipótese diagnóstica é

Alternativas

  1. A) doença de Crohn.
  2. B) síndrome disabsortiva. 
  3. C) síndrome do intestino irritável. 
  4. D) retocolite ulcerativa idiopática.

Pérola Clínica

SII: Diarreia/constipação crônica, dor abdominal alivia com evacuação, sem sinais de alarme e exames normais.

Resumo-Chave

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um distúrbio funcional caracterizado por dor abdominal recorrente associada à defecação, com alterações na frequência ou forma das fezes, na ausência de causas orgânicas. A ausência de sinais de alarme (emagrecimento, sangramento, diarreia noturna) e exames complementares normais são cruciais para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um dos distúrbios gastrointestinais funcionais mais comuns, afetando uma parcela significativa da população mundial, com maior prevalência em mulheres jovens. Sua importância clínica reside na alta morbidade e impacto na qualidade de vida dos pacientes, além de ser um diagnóstico de exclusão que exige uma investigação cuidadosa para afastar condições orgânicas mais graves. O reconhecimento da SII é fundamental para evitar exames desnecessários e iniciar um manejo adequado. A fisiopatologia da SII é multifatorial, envolvendo alterações na motilidade intestinal, hipersensibilidade visceral, disbiose da microbiota e fatores psicossociais. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Roma IV, e requer a ausência de sinais de alarme e resultados normais em exames complementares básicos, como hemograma, PCR, TSH, sorologias para doença celíaca e, em alguns casos, colonoscopia. O tratamento da SII é sintomático e individualizado, incluindo modificações dietéticas (ex: dieta FODMAP), probióticos, fibras, antiespasmódicos, laxantes ou antidiarreicos, e, em casos refratários, antidepressivos. O prognóstico é bom em termos de mortalidade, mas a cronicidade dos sintomas pode levar a frustração e ansiedade. É crucial estabelecer uma boa relação médico-paciente e educar o paciente sobre a natureza benigna da condição, focando no controle dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para a Síndrome do Intestino Irritável (SII)?

Os Critérios de Roma IV definem SII pela dor abdominal recorrente, pelo menos uma vez por semana nos últimos 3 meses, associada a dois ou mais dos seguintes: relacionada à defecação, alteração na frequência das fezes ou alteração na forma das fezes.

Quais 'sinais de alarme' devem levantar a suspeita de uma condição mais grave que a SII?

Sinais de alarme incluem perda de peso inexplicada, sangramento gastrointestinal (melena, hematoquezia), anemia, diarreia noturna, febre, história familiar de câncer colorretal ou doença inflamatória intestinal, e início dos sintomas após os 50 anos.

Como a colonoscopia auxilia no diagnóstico diferencial da diarreia crônica?

A colonoscopia é crucial para excluir doenças orgânicas como Doença Inflamatória Intestinal (Doença de Crohn, Retocolite Ulcerativa), pólipos ou câncer colorretal. Em casos de SII, a colonoscopia e o exame histopatológico são tipicamente normais.

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