UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2020
Escolar de 6 anos é levado a atendimento médico com queixa de quadro recorrente nos últimos 3 meses de dor e sensação de distensão abdominal que melhora com a evacuação, de início associado a mudança na frequência e aspecto das fezes, com fezes amolecidas e com presença de muco. O diagnóstico mais provável é:
SII em escolar: dor abdominal + alteração evacuação + melhora com evacuação.
A Síndrome do Intestino Irritável (SII) em crianças é um distúrbio da interação intestino-cérebro, caracterizada por dor abdominal recorrente associada a alterações na frequência ou forma das fezes, com melhora da dor após a evacuação. Os critérios de Roma IV são essenciais para o diagnóstico.
A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um dos transtornos gastrointestinais funcionais mais comuns em crianças e adolescentes, com prevalência estimada entre 10% e 20%. É caracterizada por dor abdominal recorrente associada a alterações nos hábitos intestinais, impactando significativamente a qualidade de vida. A compreensão de sua fisiopatologia, que envolve a interação intestino-cérebro, dismotilidade, hipersensibilidade visceral e disbiose, é crucial para o manejo adequado. O diagnóstico da SII em crianças é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, que enfatizam a presença de dor abdominal pelo menos uma vez por semana nos últimos dois meses, associada a dois dos seguintes: relação com a defecação, alteração na frequência das fezes ou alteração na forma das fezes. É fundamental excluir sinais de alarme (perda de peso, sangramento gastrointestinal, anemia, febre, dor noturna) que possam indicar doença orgânica. Exames complementares devem ser solicitados apenas se houver suspeita de outras condições. O tratamento da SII é multifacetado, incluindo educação do paciente e família, modificações dietéticas (como a dieta com baixo teor de FODMAP), manejo do estresse, terapia cognitivo-comportamental e, em casos selecionados, farmacoterapia para alívio sintomático. O prognóstico é geralmente bom, mas a condição pode persistir na vida adulta, exigindo uma abordagem contínua e individualizada.
Os critérios de Roma IV para SII em crianças incluem dor abdominal recorrente (pelo menos 4 dias/mês por 2 meses) associada a alterações na frequência ou forma das fezes, e melhora da dor após a evacuação.
A diferenciação reside na associação da dor com a evacuação e a melhora subsequente, além da ausência de sinais de alarme que sugiram doença orgânica.
O tratamento envolve educação, modificações dietéticas (ex: dieta FODMAP), manejo do estresse e, em alguns casos, medicamentos para sintomas específicos, como laxantes ou antiespasmódicos.
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