UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Mulher, 46a, procura Unidade Básica de Saúde com queixa de dor abdominal frequente, infraumbilical, que ocorre 2-3 vezes/dia, há mais de um ano. Algumas vezes pós-prandiais, melhora com evacuação. As fezes são amolecidas, com presença de muco e sem outras alterações. Refere urgência para defecar, com episódios à noite. Nega emagrecimento e febre. Exame físico: dor à palpação de fossa ilíaca, ausência de massas palpáveis. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Dor abdominal crônica + alteração hábito intestinal + melhora com evacuação + sem sinais de alarme = Síndrome do Intestino Irritável.
A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um distúrbio funcional gastrointestinal crônico caracterizado por dor abdominal recorrente associada a alterações no hábito intestinal (diarreia, constipação ou mista), na ausência de doença orgânica identificável e sem sinais de alarme.
A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um dos distúrbios gastrointestinais funcionais mais comuns, afetando uma parcela significativa da população e impactando a qualidade de vida. É caracterizada por dor abdominal crônica e alterações no hábito intestinal, sem evidência de doença orgânica subjacente. A compreensão da SII é fundamental para o manejo clínico, evitando investigações desnecessárias e proporcionando alívio aos pacientes. O diagnóstico da SII é clínico e baseia-se nos Critérios de Roma IV, que exigem dor abdominal recorrente associada a alterações na frequência ou consistência das fezes, com início dos sintomas há pelo menos 6 meses e presentes nos últimos 3 meses. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo dismotilidade intestinal, hipersensibilidade visceral, disbiose da microbiota intestinal e fatores psicossociais. O manejo da SII é individualizado e pode incluir modificações dietéticas (ex: dieta FODMAP), manejo do estresse, uso de medicamentos para controlar os sintomas (antiespasmódicos, laxantes, antidiarreicos, antidepressivos) e terapias comportamentais. É crucial excluir outras condições orgânicas, especialmente na presença de sinais de alarme, antes de firmar o diagnóstico de SII.
Os sintomas incluem dor abdominal recorrente, geralmente aliviada pela evacuação, associada a alterações na frequência ou forma das fezes, podendo ser diarreia, constipação ou um padrão misto.
Os Critérios de Roma IV exigem dor abdominal recorrente, em média, pelo menos 1 dia por semana nos últimos 3 meses, associada a 2 ou mais dos seguintes: relacionada à defecação, associada a uma mudança na frequência das fezes, ou associada a uma mudança na forma das fezes.
Sinais de alarme incluem sangramento retal, perda de peso inexplicada, febre, anemia, início dos sintomas após os 50 anos, história familiar de câncer colorretal ou doença inflamatória intestinal.
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