INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma mulher com 28 anos é atendida na unidade básica de saúde pela quarta vez nos últimos 6 meses. Há 4 anos, apresenta dores abdominais do tipo cólica, especialmente em flancos, mesogástrio e hipogástrio, com períodos de constipação e episódios de fezes amolecidas, sem muco ou sangue. Ela relata que as dores melhoram com a evacuação e com a eliminação de flatos. Nega perda ou ganho de peso nesse período. Refere também estar ansiosa e que a ansiedade piorou devido à dúvida se tinha ou não alguma doença grave, como câncer. Conta que é faxineira e mãe de 4 filhos e que tem medo de adoecer e não poder sustentá-los. Acrescenta que já fez diversas investigações, inclusive pesquisa de sangue oculto nas fezes, protoparasitológico das fezes, hemograma, anticorpo antitransglutaminase, TSH, ultrassonografia de abdome e teste de tolerância à lactose, todos com resultados negativos, e que já fez vários tratamentos com albendazol (400 mg/dia até por 5 dias) e/ou secnidazol (2 g/dose única). Ao exame físico, apresenta-se normal. Nesse caso, a hipótese diagnóstica para a paciente é de
SII: dor abdominal crônica > 6 meses, melhora com evacuação, alteração hábito intestinal, exames normais, associada a ansiedade.
A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um distúrbio funcional crônico caracterizado por dor abdominal recorrente associada a alterações do hábito intestinal, na ausência de anormalidades estruturais ou bioquímicas. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, após exclusão de outras patologias.
A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um distúrbio funcional gastrointestinal crônico comum, caracterizado por dor abdominal recorrente e alterações no hábito intestinal, sem evidência de doença orgânica. Afeta uma parcela significativa da população, sendo mais prevalente em mulheres jovens e frequentemente associada a transtornos de ansiedade e depressão. Sua importância clínica reside na alta morbidade e impacto na qualidade de vida dos pacientes, além de gerar custos significativos para o sistema de saúde devido a investigações desnecessárias. A fisiopatologia da SII é multifatorial, envolvendo dismotilidade intestinal, hipersensibilidade visceral, alterações na microbiota intestinal e disfunção do eixo cérebro-intestino. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Roma IV, que exigem dor abdominal recorrente associada a mudanças na frequência ou forma das fezes. É crucial realizar uma investigação mínima para excluir outras patologias, como doença celíaca, doença inflamatória intestinal ou infecções, especialmente na ausência de "sinais de alarme". O tratamento da SII é individualizado e visa o alívio dos sintomas. Inclui modificações dietéticas (como a dieta de baixo FODMAP), manejo do estresse e da ansiedade (terapia cognitivo-comportamental), e farmacoterapia com antiespasmódicos, laxantes, antidiarreicos ou antidepressivos, conforme o subtipo predominante da doença. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado, mas a cronicidade dos sintomas exige uma abordagem contínua e empática.
A SII é diagnosticada pelos Critérios de Roma IV, que incluem dor abdominal recorrente (pelo menos 1 dia/semana nos últimos 3 meses) associada a 2 ou mais dos seguintes: relacionada à evacuação, alteração na frequência das fezes ou alteração na forma das fezes. Os sintomas devem ter iniciado há pelo menos 6 meses.
Sinais de alarme incluem perda de peso inexplicada, sangramento gastrointestinal, anemia por deficiência de ferro, início dos sintomas após os 50 anos, história familiar de câncer colorretal ou doença inflamatória intestinal, e febre. A presença desses sinais exige investigação adicional.
O tratamento inicial envolve modificações dietéticas (dieta FODMAP, fibras), manejo do estresse e ansiedade, e medicamentos sintomáticos como antiespasmódicos, laxantes ou antidiarreicos, dependendo do subtipo predominante da SII.
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