Manejo Inicial da Síndrome do Intestino Irritável (SII)

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 28 anos, sem comorbidades, apresenta dor abdominal recorrente associada a alterações no hábito intestinal, com episódios de diarreia intercalados com constipação. Ela relata que os sintomas pioram em períodos de estresse e que tem alívio parcial após evacuação. O exame físico é normal, e exames laboratoriais básicos, incluindo hemograma, função hepática e eletrolítica, estão dentro dos limites da normalidade. Considerando o diagnóstico de Síndrome do Intestino Irritável (SII), qual é a abordagem terapêutica inicial mais adequada para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Antidepressivos tricíclicos em baixa dose, com amitriptilina.
  2. B) Antibióticos, como rifaximina, para o controle da flora intestinal.
  3. C) Probióticos, como Lactobacillus, como primeira linha de tratamento.
  4. D) Mudança na dieta com inclusão de fibras solúveis e dieta de baixo FODMAP.
  5. E) Corticosteroides orais para redução da inflamação intestinal.

Pérola Clínica

SII → Dor abdominal + alteração do hábito + alívio à evacuação; Manejo inicial = Dieta e Fibras.

Resumo-Chave

O tratamento inicial da SII foca na educação do paciente e modificações dietéticas, priorizando fibras solúveis e a redução de carboidratos fermentáveis (FODMAPs).

Contexto Educacional

A Síndrome do Intestino Irritável é uma das condições mais comuns na prática gastroenterológica. Sua fisiopatologia envolve hipersensibilidade visceral, disbiose e alterações na motilidade mediadas pelo eixo cérebro-intestino. O manejo exige uma abordagem biopsicossocial, onde a relação médico-paciente e a educação dietética são os pilares que precedem o uso de farmacoterapia específica (como antiespasmódicos ou neuromoduladores).

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para SII?

O diagnóstico de Síndrome do Intestino Irritável (SII) é baseado nos Critérios de Roma IV. O paciente deve apresentar dor abdominal recorrente, em média, pelo menos um dia por semana nos últimos três meses, associada a dois ou mais dos seguintes critérios: relação com a evacuação (melhora ou piora), associação com alteração na frequência das fezes ou associação com alteração na forma (aparência) das fezes. É um diagnóstico funcional, o que significa que exames estruturais (como colonoscopia) costumam ser normais, sendo reservados para pacientes com sinais de alarme como perda de peso, sangramento ou idade superior a 45-50 anos.

Como funciona a dieta Low FODMAP?

A dieta Low FODMAP consiste na redução temporária de carboidratos de cadeia curta que são mal absorvidos no intestino delgado e rapidamente fermentados por bactérias no cólon. A sigla significa Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides, and Polyols. Esses açúcares exercem efeito osmótico, atraindo água para o lúmen, e produzem gases durante a fermentação, causando distensão abdominal, dor e flatulência em pacientes com hipersensibilidade visceral. O protocolo geralmente envolve uma fase de eliminação de 4 a 6 semanas, seguida pela reintrodução gradual para identificar gatilhos específicos.

Qual o papel das fibras no tratamento da SII?

As fibras são fundamentais, mas a escolha do tipo é crítica. Fibras solúveis (como o psyllium) são recomendadas como terapia de primeira linha, pois ajudam a regularizar a consistência das fezes sem produzir excesso de gases. Já as fibras insolúveis (como o farelo de trigo) podem exacerbar a dor abdominal e o inchaço em muitos pacientes com SII, devendo ser evitadas ou introduzidas com cautela. A suplementação deve ser iniciada em doses baixas e aumentada gradualmente para minimizar efeitos colaterais iniciais.

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