UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024
Mulher de 40 anos tem diarreia episódica há 8 meses, com aumento do número de evacuações de 1 vez ao dia para 4 a 6 vezes ao dia, fezes pastosas a líquidas, sem produtos patológicos, alternando com períodos sem diarreia. Refere ainda dor abdominal de leve intensidade, que melhora com a evacuação, e estufamento abdominal. Nega perda de peso. O diagnóstico mais provável e o exame indicado para abordagem inicial são, respectivamente:
SII: dor abdominal melhora com evacuação, alteração hábito intestinal, sem sinais de alarme.
A Síndrome do Intestino Irritável é um diagnóstico de exclusão, baseado nos critérios de Roma IV. A ausência de sinais de alarme como perda de peso, sangramento ou anemia, e a melhora da dor com a evacuação, são características chave. A calprotectina fecal é útil para excluir doença inflamatória intestinal.
A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um distúrbio funcional gastrointestinal crônico, caracterizado por dor abdominal e alteração do hábito intestinal, sem evidência de doença orgânica. Afeta uma parcela significativa da população, sendo mais comum em mulheres e jovens adultos, e impacta substancialmente a qualidade de vida dos pacientes. É uma das condições mais frequentemente diagnosticadas em gastroenterologia. A fisiopatologia da SII é multifatorial, envolvendo disfunção da motilidade intestinal, hipersensibilidade visceral, alterações na microbiota intestinal, inflamação de baixo grau e fatores psicossociais. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Roma IV, após exclusão de outras patologias. A calprotectina fecal é um exame inicial importante para descartar doença inflamatória intestinal, enquanto a endoscopia com biópsia é indicada para suspeita de doença celíaca ou em pacientes com sinais de alarme. O tratamento da SII é individualizado e visa o alívio dos sintomas, incluindo modificações dietéticas, manejo do estresse, uso de probióticos e medicamentos para dor, constipação ou diarreia. É fundamental uma abordagem holística, com boa relação médico-paciente, para otimizar o manejo e melhorar o prognóstico, que geralmente é bom em termos de mortalidade, mas com impacto significativo na morbidade e qualidade de vida.
O diagnóstico da SII é baseado nos Critérios de Roma IV, que incluem dor abdominal recorrente, pelo menos 1 dia por semana nos últimos 3 meses, associada a 2 ou mais dos seguintes: relacionada à defecação, associada a mudança na frequência das fezes, ou associada a mudança na forma das fezes.
A calprotectina fecal é um biomarcador de inflamação intestinal. Sua dosagem é crucial para diferenciar a SII de doenças inflamatórias intestinais (DII), que exigem abordagens diagnósticas e terapêuticas distintas, evitando procedimentos invasivos desnecessários na SII.
Sinais de alarme incluem perda de peso inexplicada, sangramento gastrointestinal, anemia, febre, início dos sintomas após os 50 anos, história familiar de câncer colorretal ou doença inflamatória intestinal, e diarreia noturna. A presença desses sinais exige investigação mais aprofundada.
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