FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024
Paciente idoso, coronariopata e portador de fibrilação atrial, foi submetido à ressecção de boa parte do íleo por isquemia mesentérica aguda. Todas as alterações abaixo são esperadas no pós-operatório desse paciente, exceto:
Ressecção de íleo → deficiência de B12 e sais biliares, hipersecreção gástrica; ferro absorvido no duodeno.
A ressecção de uma parte significativa do íleo, como na isquemia mesentérica, leva à síndrome do intestino curto, com importantes consequências na absorção de nutrientes. Espera-se deficiência de vitamina B12 e sais biliares (absorvidos no íleo) e hipersecreção gástrica. A anemia ferropriva não é uma complicação direta, pois o ferro é absorvido mais proximalmente.
A isquemia mesentérica aguda é uma condição grave que frequentemente exige ressecção intestinal extensa, especialmente do íleo, resultando na síndrome do intestino curto. A compreensão das consequências metabólicas e nutricionais dessa cirurgia é crucial para o manejo pós-operatório, visando prevenir e tratar as deficiências resultantes e melhorar a qualidade de vida do paciente. A fisiopatologia da síndrome do intestino curto após ressecção do íleo envolve a perda de uma área vital para a absorção de nutrientes específicos. O íleo terminal é o principal local de absorção da vitamina B12 (complexada com fator intrínseco) e dos sais biliares. A perda dos sais biliares leva à má absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis (esteatorreia). Além disso, a perda de hormônios entéricos pode levar à hipersecreção ácida gástrica, exacerbando a má absorção. No pós-operatório, é esperado que o paciente desenvolva deficiência de vitamina B12 (levando à anemia megaloblástica e sintomas neurológicos) e deficiência de sais biliares (causando diarreia e esteatorreia). A hipersecreção gástrica também é uma complicação comum. É importante notar que a absorção de ferro ocorre predominantemente no duodeno e jejuno proximal, portanto, a anemia ferropriva não é uma consequência direta e primária da ressecção isolada do íleo, embora possa ocorrer por outras causas ou em ressecções mais extensas. O manejo inclui suplementação nutricional, inibidores de bomba de prótons e, em alguns casos, análogos de GLP-2.
A ressecção extensa do íleo leva à síndrome do intestino curto, resultando em má absorção de nutrientes, especialmente vitamina B12 e sais biliares, e pode causar hipersecreção ácida gástrica.
A vitamina B12 é absorvida exclusivamente no íleo terminal, com a ajuda do fator intrínseco. A remoção dessa porção do intestino impede sua absorção, levando à deficiência e anemia megaloblástica.
Não diretamente. O ferro é absorvido principalmente no duodeno e jejuno proximal. Embora pacientes com síndrome do intestino curto possam ter múltiplas deficiências, a anemia ferropriva não é uma consequência primária da perda do íleo.
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