AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025
Considerando a síndrome do intestino curto após ressecção intestinal extensa, assinale a alternativa INCORRETA:
Íleo distal ressecado → ↓ B12 e sais biliares; Íleo adapta-se melhor que o jejuno.
A ressecção do íleo distal é clinicamente mais grave que a do jejuno, pois o íleo possui transportadores exclusivos para B12 e sais biliares, além de maior plasticidade adaptativa.
A Síndrome do Intestino Curto (SIC) é definida pela perda funcional ou anatômica de grande parte do intestino delgado, geralmente restando menos de 200 cm em adultos. A fisiopatologia depende da extensão, da localização da ressecção e da presença do cólon e da válvula ileocecal. Ressecções jejunais são melhor toleradas porque o íleo assume a absorção de nutrientes gerais. Já ressecções ileais distais (mesmo curtas) causam perdas irreversíveis de B12 e sais biliares. Clinicamente, o manejo foca na estabilização hidroeletrolítica inicial, seguida pela promoção da adaptação intestinal. O uso de análogos do GLP-2 (como a teduglutida) tem revolucionado o tratamento, permitindo que muitos pacientes reduzam ou suspendam a dependência de nutrição parenteral total, aproveitando a plasticidade inerente do remanescente ileal.
A ressecção ileal é mais crítica por dois motivos principais: primeiro, o íleo possui transportadores especializados para a absorção de vitamina B12 e sais biliares que não existem no jejuno. Segundo, o íleo apresenta uma capacidade de adaptação morfológica e funcional (hipertrofia de vilosidades e aumento de enzimas) significativamente superior à do jejuno. Quando o íleo é removido, a perda de sais biliares excede a capacidade de síntese hepática, resultando em esteatorreia e má-absorção de vitaminas lipossolúveis, além da anemia megaloblástica por deficiência de B12.
A válvula ileocecal atua como uma barreira mecânica e funcional que retarda o trânsito do quimo do intestino delgado para o cólon, aumentando o tempo de contato dos nutrientes com a mucosa absortiva. Além disso, ela previne o refluxo de conteúdo colônico rico em bactérias para o intestino delgado, o que evita o supercrescimento bacteriano (SIBO). A preservação desta válvula é um dos principais fatores prognósticos para a autonomia nutricional após ressecções extensas.
A adaptação intestinal é um processo fisiológico que ocorre após ressecções extensas, mediado por hormônios como o GLP-2. Envolve hiperplasia da mucosa, aumento da profundidade das criptas e alongamento das vilosidades, o que expande a área de superfície absortiva. O íleo é o segmento com maior potencial para esse processo. A presença de nutrientes no lúmen intestinal (nutrição enteral precoce) é o estímulo mais potente para desencadear essas mudanças estruturais.
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