Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2024
Os distúrbios do desenvolvimento sexual são quadros congênitos nos quais o desenvolvimento sexual cromossomal ou anatômico é atípico. Sobre eles é INCORRETO afirmar que:
SAIT = 46XY, fenótipo feminino, ausência de útero, mamas presentes (devido à aromatização de androgênios).
A alternativa C está incorreta porque na Síndrome de Insensibilidade Total aos Androgênios (SAIT), apesar do cariótipo 46XY e fenótipo feminino, há desenvolvimento de mamas devido à aromatização periférica dos androgênios testiculares em estrogênios. A distribuição de pelos é escassa ou ausente, e a vagina é curta e em fundo cego.
Os distúrbios do desenvolvimento sexual (DSD) representam um grupo complexo de condições congênitas onde há uma discordância entre o sexo cromossômico, gonadal e/ou anatômico. A compreensão desses distúrbios é crucial para o diagnóstico precoce e manejo adequado, impactando a qualidade de vida dos pacientes. A hiperplasia suprarrenal congênita (HSC) é a causa mais comum de virilização em fetos 46XX, levando ao pseudo-hermafroditismo feminino. A fisiopatologia dos DSD é variada, envolvendo desde anomalias cromossômicas (como na Síndrome de Turner, 45X) até defeitos genéticos na síntese hormonal ou na ação dos receptores, como na Síndrome de Insensibilidade Total aos Androgênios (SAIT). O diagnóstico envolve cariótipo, dosagens hormonais e exames de imagem para identificar as gônadas e estruturas müllerianas/wolffianas. A suspeita clínica deve surgir em casos de genitália ambígua ao nascimento ou desenvolvimento puberal atípico. O tratamento dos DSD é multidisciplinar e individualizado, visando à saúde física, psicológica e social do paciente. Pode incluir terapia hormonal, cirurgias reconstrutivas e acompanhamento psicológico. Na SAIT, por exemplo, a gonadectomia é recomendada após a puberdade para prevenir malignidade das gônadas intra-abdominais, e a terapia estrogênica é iniciada para manter as características sexuais secundárias femininas.
A SAIT é caracterizada por um cariótipo 46XY com fenótipo feminino, ausência de útero e ovários, vagina em fundo cego, e desenvolvimento mamário normal na puberdade, mas com pilificação axilar e pubiana escassa ou ausente.
A HSC é a principal causa de virilização em fetos 46XX, resultando em pseudo-hermafroditismo feminino, onde há genitália ambígua ou virilizada externamente, mas com ovários e útero presentes.
O pseudo-hermafroditismo feminino ocorre em indivíduos 46XX com virilização (ex: HSC), enquanto o pseudo-hermafroditismo masculino ocorre em indivíduos 46XY com subvirilização (ex: SAIT, defeitos na síntese de testosterona).
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