Síndrome de Insensibilidade Androgênica: Diagnóstico e Cariótipo

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 18 anos, virgem, com quadro de amenorreia primária, veio ao ambulatório com exames para serem avaliados: USG revelando ausência de útero, dosagem de testosterona normal, prolactina e TSH normais. Cariótipo 46, XY. Qual o provável diagnóstico para esse caso?

Alternativas

  1. A) Síndrome de Rokitansky
  2. B) Síndrome de Asherman
  3. C) Síndrome de Tunner
  4. D) Síndrome de Swyer
  5. E) Síndrome de insensibilidade androgênica

Pérola Clínica

Amenorreia primária + ausência de útero + cariótipo 46,XY + testosterona normal = Síndrome de Insensibilidade Androgênica (SIA).

Resumo-Chave

A Síndrome de Insensibilidade Androgênica (SIA) é uma condição genética em que indivíduos com cariótipo 46,XY (geneticamente masculinos) desenvolvem um fenótipo feminino devido à incapacidade das células de responderem aos andrógenos. A ausência de útero ocorre porque os testículos (presentes internamente) produzem hormônio antimülleriano.

Contexto Educacional

A amenorreia primária, definida como a ausência de menarca até os 15 anos com desenvolvimento de caracteres sexuais secundários ou até os 13 anos sem desenvolvimento, é um desafio diagnóstico na ginecologia. Uma das causas importantes é a Síndrome de Insensibilidade Androgênica (SIA), também conhecida como Síndrome de Morris, que representa um distúrbio da diferenciação sexual. Esta condição é causada por mutações no gene do receptor de andrógenos, resultando em insensibilidade total ou parcial aos hormônios androgênicos. Clinicamente, a SIA completa se manifesta em indivíduos com cariótipo 46,XY (geneticamente masculinos) que desenvolvem um fenótipo feminino. Ao nascimento, os genitais externos são femininos, mas na puberdade, a amenorreia primária é a principal queixa. O exame físico revela ausência de útero e ovários (confirmado por ultrassonografia), com a presença de testículos que podem estar localizados no abdome, canal inguinal ou lábios maiores. Os níveis de testosterona são tipicamente normais ou elevados para um homem, e a prolactina e TSH são normais. O desenvolvimento mamário ocorre devido à aromatização periférica dos andrógenos em estrogênios. O diagnóstico é confirmado pela combinação do cariótipo 46,XY, fenótipo feminino, ausência de útero e níveis hormonais compatíveis. É crucial diferenciar a SIA de outras causas de amenorreia primária com ausência de útero, como a Síndrome de Rokitansky (agenesia mülleriana), que ocorre em indivíduos 46,XX com ovários funcionantes. O manejo da SIA envolve a gonadectomia para prevenir a malignização dos testículos (geralmente após a puberdade para permitir o desenvolvimento mamário) e o aconselhamento genético e psicológico.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da Síndrome de Insensibilidade Androgênica (SIA) completa?

Na SIA completa, o indivíduo apresenta fenótipo feminino, amenorreia primária, ausência de útero e ovários, presença de testículos (geralmente intra-abdominais ou inguinais), e desenvolvimento mamário normal na puberdade devido à aromatização de andrógenos em estrogênios.

Por que há ausência de útero na Síndrome de Insensibilidade Androgênica?

A ausência de útero ocorre porque os testículos, embora não responsivos aos andrógenos, produzem o Hormônio Antimülleriano (AMH), que inibe o desenvolvimento dos ductos de Müller, precursores do útero, tubas uterinas e terço superior da vagina.

Como diferenciar a Síndrome de Insensibilidade Androgênica da Síndrome de Rokitansky?

A diferenciação é feita principalmente pelo cariótipo e pela dosagem hormonal. Na SIA, o cariótipo é 46,XY e os níveis de testosterona são normais ou elevados para um homem. Na Síndrome de Rokitansky (agenesia mülleriana), o cariótipo é 46,XX, os ovários são funcionantes e os níveis hormonais femininos são normais.

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