SIRI Paradoxal no HIV: Diagnóstico Diferencial na TB

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025

Enunciado

Paciente feminina, 32 anos, com diagnóstico recente de HIV, com contagem de CD4= 80 células/uL (VR: 500 e 1600 células/μL). Estava em tratamento para tuberculose quando recebeu o diagnóstico de portador do vírus do HIV, sendo iniciada Terapia Antirretroviral (TARV). Após 40 dias de tratamento com TARV, retornou com piora da tosse, febre alta e dispneia. Relata também perda de peso. A radiografia de tórax mostra duas áreas novas de cavitação, que não existia anteriormente. Baseado no quadro clínico, relacione a hipótese diagnóstica com a fisiopatologia da condição da paciente?

Alternativas

  1. A) Aumento da replicação do HIV devido à falha terapêutica, levando à progressão da doença e superinfecção bacteriana.
  2. B) Reativação de tuberculose latente com Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (SIRI) paradoxal, resultando em exacerbação da resposta inflamatória após o início da TARV.
  3. C) Pneumonia bacteriana comunitária com resistência aos antibióticos, agravada pela imunossupressão do HIV.
  4. D) Pneumocistose com Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (SIRI) desmascarada, desencadeada pela reconstituição imune após o início da TARV.

Pérola Clínica

Piora clínica/radiológica da TB após iniciar TARV = SIRI paradoxal (reconstituição imune).

Resumo-Chave

A SIRI paradoxal ocorre pela recuperação da resposta imune contra antígenos micobacterianos pré-existentes, resultando em inflamação exacerbada após o início da TARV.

Contexto Educacional

A Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (SIRI) é um fenômeno comum na coinfecção HIV/TB. Ela se manifesta de duas formas: paradoxal (piora de doença conhecida) ou desmascarada (surgimento de infecção oportunista oculta). O quadro clínico de febre, novas cavitações e piora respiratória em um paciente com CD4 baixo que iniciou TARV há 40 dias é clássico para SIRI paradoxal. A fisiopatologia envolve o aumento súbito de linfócitos T CD4+ específicos para o M. tuberculosis, gerando uma 'tempestade' de citocinas inflamatórias no sítio da infecção.

Perguntas Frequentes

O que define a SIRI paradoxal?

É a exacerbação dos sintomas ou achados radiológicos de uma infecção oportunista (como a TB) que já estava em tratamento e apresentava melhora, ocorrendo logo após o início da TARV devido à recuperação da imunidade celular.

Qual o manejo clínico da SIRI na tuberculose?

A conduta principal é manter tanto a TARV quanto o esquema RIPE para tuberculose. Em casos de inflamação grave ou risco de vida, podem ser utilizados corticosteroides (como prednisona) para modular a resposta inflamatória.

Quais os fatores de risco para desenvolver SIRI?

Os principais fatores são contagem de CD4 muito baixa (< 50-100 células/uL) no início da TARV, carga viral elevada e início precoce da TARV após o diagnóstico da infecção oportunista.

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