SIRI no HIV: Diagnóstico, Fatores de Risco e Manifestações

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023

Enunciado

"Dentre os fatores que podem prever a SIRI (Síndrome Inflamatória da Reconstituição Imune) estão descritos: início da HAART nos muito jovens, contagem sérica dos linfócitos T CD4 inferior a 100 / mm3 e relação CD4/CD8 inferior a 10%. Comparando com os valores anteriores ao início da TARV (terapia antirretroviral), há significante aumento das contagens séricas dos linfócitos T CD4 e das transaminases e queda da hemoglobina durante o desenvolvimento da síndrome. Também, foi citado que as contagens pré-tratamento das células CD8(+) CD25(+) estavam quatro vezes mais elevadas naqueles que a apresentaram." Disponível em: Revista Brasileira de Coloproctologia. vol. 29, n. 2, Rio de Janeiro: jan./mar. 2009. Qual alternativa pode representar uma SIRI?

Alternativas

  1. A) Aparecimento de exantema do tipo hipersensibilidade.
  2. B) Aparecimento de processo inflamatório intestinal severo.
  3. C) Aparecimento de infecções oportunistas como Neurocriptococose e herpes zoster.
  4. D) Aparecimento de intolerância gastrointestinal.

Pérola Clínica

SIRI = Melhora imunitária (↑CD4) + Piora clínica (inflamação contra patógenos).

Resumo-Chave

A SIRI ocorre quando a recuperação do sistema imune após início da TARV gera uma resposta inflamatória exacerbada contra antígenos oportunistas pré-existentes.

Contexto Educacional

A Síndrome Inflamatória da Reconstituição Imune (SIRI) representa um desafio no manejo do HIV/AIDS. Ela pode se manifestar de duas formas: 'desmascaramento' (unmasking), onde uma infecção oculta se torna clinicamente evidente, ou 'paradoxal', onde uma infecção já em tratamento apresenta piora inflamatória. O diagnóstico exige o início recente de TARV, resposta virológica adequada e manifestações inflamatórias que não são explicadas por toxicidade ou nova infecção. O manejo geralmente envolve manter a TARV e tratar a infecção oportunista, podendo-se usar corticosteroides em casos de inflamação grave que ameace a vida, como no SNC ou sistema respiratório.

Perguntas Frequentes

O que define a fisiopatologia da SIRI?

A SIRI é desencadeada pela restauração da resposta imune específica contra patógenos após o início da terapia antirretroviral (TARV). Com a queda da carga viral e o aumento dos linfócitos T CD4+, o organismo recupera a capacidade de montar uma resposta inflamatória. Se houver infecções oportunistas latentes ou subclínicas (como tuberculose ou criptococose), essa resposta pode ser excessiva, causando danos teciduais e piora paradoxal dos sintomas clínicos, apesar da melhora laboratorial.

Quais são os principais fatores de risco para SIRI?

Os principais preditores incluem uma contagem basal de CD4 muito baixa (geralmente < 100 células/mm³), uma carga viral elevada antes do início da TARV e uma queda rápida da carga viral após o início do tratamento. Além disso, o início precoce da TARV em pacientes com infecções oportunistas ativas aumenta o risco, motivo pelo qual, em certos casos como a neurocriptococose, recomenda-se adiar a TARV por algumas semanas.

Como diferenciar SIRI de uma nova infecção oportunista?

A diferenciação é clínica e laboratorial. Na SIRI, o paciente apresenta evidências de sucesso virológico (queda da carga viral do HIV) e imunológico (aumento de CD4), mas com piora dos sintomas de uma infecção já conhecida ou revelação de uma oculta. Se o paciente apresenta novos sintomas com carga viral alta ou CD4 em queda, deve-se suspeitar de falha terapêutica ou de uma nova infecção oportunista não relacionada à reconstituição imune.

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