FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Pré-adolescente de doze anos é levado na Emergência no quarto dia de sintomas de dor abdominal difusa e febre baixa. O plantonista solicitou ultrassonografia abdominal, a qual afastou apendicite e evidenciou a presença de seis linfonodos de cerca de 2 cm periapendiculares e mesentéricos. Foi internado para melhor avaliação e investigação. No dia seguinte, a febre persistiu e ele passou a apresentar hiperemia ocular, exantema macular eritematoso no tronco, associado a edema de mãos e pés. Hoje, no oitavo dia de febre, iniciou quadro de ortopneia, com exame físico evidenciando fígado palpável a 8 cm do rebordo costal direito, extremidades frias e área cardíaca aumentada na radiografia de tórax. Qual é o diagnóstico?
SIM-P (MIS-C) pós-COVID: febre persistente + múltiplos sistemas (exantema, conjuntivite, edema, linfonodos, disfunção cardíaca).
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P ou MIS-C) é uma condição rara, mas grave, que ocorre semanas após a infecção por SARS-CoV-2 em crianças e adolescentes. Caracteriza-se por febre persistente e envolvimento de múltiplos sistemas orgânicos, incluindo manifestações cutâneas, mucocutâneas, gastrointestinais e, criticamente, cardíacas.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), também conhecida como MIS-C (Multisystem Inflammatory Syndrome in Children), é uma condição rara, mas grave, que se manifesta em crianças e adolescentes semanas após a infecção por SARS-CoV-2. É caracterizada por uma resposta inflamatória desregulada que afeta múltiplos sistemas orgânicos, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico para residentes. A fisiopatologia envolve uma resposta imune tardia e exacerbada ao SARS-CoV-2, levando a uma tempestade de citocinas e dano endotelial. O diagnóstico é clínico-laboratorial, com febre persistente, evidência de inflamação e disfunção de pelo menos dois sistemas orgânicos, além da associação com COVID-19. Sinais como exantema, hiperemia conjuntival, edema de extremidades, linfonodomegalia e, principalmente, disfunção cardíaca (miocardite, derrame pericárdico) são cruciais para a suspeita. O tratamento da SIM-P é uma emergência e geralmente envolve imunoglobulina intravenosa (IVIG) e corticosteroides para modular a resposta inflamatória. O reconhecimento precoce e a intervenção agressiva são essenciais para prevenir complicações graves, como choque e danos cardíacos permanentes, garantindo um melhor prognóstico para esses pacientes.
Os critérios incluem febre persistente (>24h), evidência laboratorial de inflamação, envolvimento de múltiplos sistemas orgânicos (ex: cardíaco, renal, respiratório, gastrointestinal, neurológico, cutâneo-mucoso) e evidência de infecção recente por SARS-CoV-2 ou exposição.
Ambas podem apresentar febre, exantema, conjuntivite e linfonodomegalia. No entanto, a SIM-P geralmente afeta crianças mais velhas, tem maior gravidade e envolvimento cardíaco mais proeminente, além da associação temporal com a infecção por SARS-CoV-2.
As principais complicações são a disfunção miocárdica, aneurismas de artérias coronárias e choque. O diagnóstico precoce é crucial para iniciar o tratamento imunomodulador (imunoglobulina intravenosa e corticosteroides) e prevenir danos orgânicos permanentes, especialmente cardíacos.
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