SIM-P (MIS-C): Diagnóstico e Sinais Chave em Crianças Pós-COVID

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023

Enunciado

Criança previamente hígida, de 8 anos de idade, sexo masculino, apresenta febre alta há 4 dias, associada à hiperemia conjuntival bilateral, sem secreção e exantema macular disseminado. Hoje iniciaram dor abdominal periumbilical e diarreia aquosa, sem sangue ou muco. Foram realizados os seguintes exames: PCR 86 (valor de referência < 1), VHS 120 mm/hora (valor de referência até 20). Os pais tiveram COVID-19 há 4 semanas. A principal hipótese diagnóstica para este caso é

Alternativas

  1. A) adenovirose.
  2. B) síndrome mão-pé-boca.
  3. C) síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica associada à COVID-19.
  4. D) escarlatina.
  5. E) sarampo.

Pérola Clínica

Febre persistente + inflamação multissistêmica + histórico COVID-19 em criança → SIM-P (MIS-C).

Resumo-Chave

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), também conhecida como MIS-C, é uma condição grave que ocorre semanas após a infecção por COVID-19 em crianças. Caracteriza-se por febre persistente, evidência de inflamação sistêmica (PCR e VHS elevados) e envolvimento de múltiplos sistemas orgânicos, como gastrointestinal, cutâneo e ocular, mimetizando outras doenças como Kawasaki.

Contexto Educacional

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), também conhecida como MIS-C (Multisystem Inflammatory Syndrome in Children), é uma condição rara, mas grave, que emergiu durante a pandemia de COVID-19. Ela afeta crianças e adolescentes semanas após uma infecção por SARS-CoV-2, mesmo que a infecção inicial tenha sido assintomática ou leve. Sua importância reside na necessidade de reconhecimento precoce para evitar complicações graves, como choque e disfunção cardíaca. A fisiopatologia da SIM-P envolve uma resposta imune desregulada pós-viral, levando a uma inflamação sistêmica generalizada. Os sintomas são variados e podem mimetizar outras condições, como a doença de Kawasaki, sepse ou choque tóxico. As manifestações incluem febre persistente, exantema, hiperemia conjuntival, dor abdominal, diarreia, vômitos e, em casos mais graves, disfunção miocárdica e choque. Marcadores inflamatórios como PCR e VHS são tipicamente muito elevados. O diagnóstico da SIM-P é clínico e laboratorial, exigindo alta suspeição em crianças com febre prolongada, inflamação sistêmica e envolvimento multissistêmico, com histórico de exposição ou infecção por COVID-19. O tratamento é de suporte e visa controlar a inflamação, frequentemente com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e corticosteroides, além de monitoramento cardíaco rigoroso. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas o reconhecimento tardio pode levar a desfechos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P)?

Os critérios incluem idade < 21 anos, febre > 24h, evidência laboratorial de inflamação (PCR, VHS, procalcitonina elevados), envolvimento de ≥ 2 sistemas orgânicos, evidência de infecção recente por SARS-CoV-2 e ausência de outro diagnóstico plausível.

Quais sistemas orgânicos são mais frequentemente afetados na SIM-P?

Os sistemas mais frequentemente afetados são gastrointestinal (dor abdominal, diarreia, vômitos), cardiovascular (miocardite, aneurismas coronarianos), cutâneo-mucoso (exantema, hiperemia conjuntival, lábios rachados) e respiratório.

Como diferenciar SIM-P da Doença de Kawasaki?

A SIM-P tende a afetar crianças mais velhas, ter marcadores inflamatórios mais elevados, maior comprometimento miocárdico e gastrointestinal, e um claro histórico de exposição ou infecção por SARS-CoV-2, enquanto a Doença de Kawasaki clássica tem critérios mais específicos e geralmente afeta crianças mais jovens.

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