FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2021
Pré-escolar de 3 anos foi levada para a UPA com febre de 38,5 C, que piorava à noite e lesões arredondadas, hiperemiadas e não pruriginosas em MIE com evolução de 7 dias. Mantém bom estado geral, com rastreio infeccioso negativo. Foi liberada para casa com sintomáticos. Evoluiu com progressão das lesões para tronco e dorso, além de edema de mãos e pés com hiperemia palmar bilateral. Após 2 dias apresentou hiperemia conjuntival não exsudativa, associada à hiperemia de lábios, tendo sido internada na enfermaria para a investigação diagnóstica. Na internação apresentava lesões urticariformes, conjuntivite não exsudativa, fissuras labiais, edema de mãos e pés com hiperemia palmar bilateral, sem adenomegalia cervical, além de febre diária há 9 dias. Qual é o diagnóstico mais provável?
Febre persistente + rash + edema extremidades + conjuntivite/lábios hiperemiados em criança pós-COVID → SIM-P.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica em Pediatria (SIM-P), ou MIS-C, é uma condição grave pós-infecciosa (geralmente COVID-19) que mimetiza doenças como Kawasaki, apresentando febre prolongada, rash, edema de extremidades, conjuntivite e envolvimento multissistêmico. A suspeita é crucial para o diagnóstico e tratamento precoces.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica em Pediatria (SIM-P), também conhecida como MIS-C (Multisystem Inflammatory Syndrome in Children), emergiu como uma complicação rara, mas grave, da infecção por SARS-CoV-2 em crianças e adolescentes. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória exacerbada que pode afetar múltiplos sistemas orgânicos, mimetizando outras condições como a Doença de Kawasaki ou choque séptico. Sua importância clínica reside na necessidade de reconhecimento precoce para intervenção terapêutica que pode ser salvadora. O diagnóstico da SIM-P baseia-se em uma combinação de achados clínicos e laboratoriais. Os sintomas incluem febre persistente, rash cutâneo polimorfo (muitas vezes urticariforme), conjuntivite não exsudativa, hiperemia labial e fissuras, edema e hiperemia de mãos e pés, além de sintomas gastrointestinais (dor abdominal, vômitos, diarreia) e, em casos graves, disfunção cardíaca e choque. A elevação de marcadores inflamatórios (PCR, VHS, procalcitonina, D-dímero, ferritina) e a evidência de infecção recente por SARS-CoV-2 (PCR positivo, sorologia ou exposição) são cruciais. O tratamento da SIM-P geralmente envolve imunoglobulina intravenosa (IVIG) e corticosteroides, com suporte hemodinâmico e de órgãos conforme necessário. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a vigilância para complicações cardíacas a longo prazo é essencial. A conscientização sobre esta síndrome é vital para pediatras e emergencistas, garantindo que crianças com febre prolongada e sintomas multissistêmicos sejam avaliadas para SIM-P, especialmente no contexto pós-pandêmico.
Os critérios incluem febre persistente, evidência de inflamação (PCR, VHS elevados), disfunção de múltiplos órgãos, e evidência de infecção recente por SARS-CoV-2 ou exposição, na ausência de outro diagnóstico plausível.
A SIM-P compartilha características com Kawasaki, mas tende a afetar crianças mais velhas, apresentar maior envolvimento cardíaco e gastrointestinal, e ter marcadores inflamatórios mais elevados, além da associação com COVID-19.
A história de infecção prévia por SARS-CoV-2 (mesmo assintomática) ou exposição é um pilar diagnóstico fundamental, pois a SIM-P é considerada uma complicação pós-infecciosa da COVID-19 em crianças e adolescentes.
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