SIM-P (MIS-C): Diagnóstico e Sinais Chave em Pediatria

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024

Enunciado

Paciente, 10 anos, sexo masculino, previamente hígido, é levado à emergência devido a quadro de febre elevada há 3 dias associada a conjuntivite sem exsudato, rash cutâneo, diarreia, vômitos e dor abdominal. Vacinação em dia. Há 3 semanas teve contato com primo que recebeu diagnóstico de COVID-19. Ao exame: PA= 87 x 60mmHg; estado geral regular, taquipneico (FR=26irpm), taquicárdico (FC=120bpm), hipocorado (+/4+), febril. Ausculta cardíaca: ritmo regular, sem sopros. Ausculta pulmonar normal. Abdome: leve distensão abdominal, fígado palpável a 2 cm do rebordo costal direito. Extremidades: pulsos palpáveis, sem edema. Exames: Hemograma: Hemoglobina-12,7g/dL, Hematócrito-38% Leucócitos: 10.000 (Neutrófilos-79% Linfócitos-10% Monócitos-10% Eosiófilos-0% Bastões-1% Plaquetas: 123.000) ; VHS - 70mm ; TGO - 37; TGP- 35; Swab de nasofaringe (RTPCR): negativo para SARS-CoV-2. Qual das seguintes alternativas é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Dengue grave.
  2. B) Doença de Kawasaki.
  3. C) Síndrome do choque tóxico.
  4. D) Síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P).

Pérola Clínica

Criança + febre persistente + disfunção multissistêmica (choque, rash, GI, conjuntivite) + exposição COVID-19 = SIM-P.

Resumo-Chave

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), ou MIS-C, é uma condição grave pós-infecção por SARS-CoV-2, caracterizada por febre persistente e envolvimento de múltiplos sistemas orgânicos (gastrointestinal, cardiovascular, cutâneo-mucoso, respiratório, hematológico), podendo evoluir para choque. A história de contato com COVID-19 e marcadores inflamatórios elevados são cruciais para o diagnóstico, mesmo com PCR negativo.

Contexto Educacional

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), também conhecida como MIS-C (Multisystem Inflammatory Syndrome in Children), é uma condição rara, mas grave, que se manifesta em crianças e adolescentes semanas após a infecção por SARS-CoV-2. Sua importância clínica reside na rápida progressão para choque e disfunção de múltiplos órgãos, exigindo reconhecimento e tratamento urgentes. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada e hiperinflamatória tardia à infecção por SARS-CoV-2, levando a vasculite sistêmica e dano tecidual. Os sintomas são variados e podem incluir febre persistente, rash cutâneo, conjuntivite não purulenta, sintomas gastrointestinais (dor abdominal, vômitos, diarreia), disfunção cardíaca (miocardite, aneurismas coronarianos) e choque. Marcadores inflamatórios como VHS, PCR, D-dímero e troponina estão frequentemente elevados. O PCR para SARS-CoV-2 pode ser negativo no momento da apresentação, indicando uma infecção prévia. O tratamento da SIM-P é de suporte intensivo, com foco na estabilização hemodinâmica e na modulação da resposta inflamatória. A imunoglobulina intravenosa (IVIG) e os corticosteroides são as terapias imunomoduladoras de primeira linha. Em casos refratários, podem ser utilizados agentes biológicos. O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce e adequado, mas o acompanhamento cardiológico é essencial devido ao risco de aneurismas coronarianos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P)?

Os critérios incluem febre persistente (>3 dias), evidência de inflamação (VHS/PCR elevados), envolvimento de múltiplos órgãos (choque, disfunção cardíaca, rash, conjuntivite, sintomas GI) e evidência de infecção prévia ou atual por SARS-CoV-2, ou exposição a COVID-19.

Como a SIM-P se diferencia da Doença de Kawasaki?

A SIM-P tende a afetar crianças mais velhas, apresenta maior gravidade com choque e disfunção cardíaca mais proeminentes, e está associada à infecção por SARS-CoV-2. A Doença de Kawasaki clássica tem critérios mais específicos e geralmente afeta crianças menores de 5 anos.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de SIM-P?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica (fluidos, vasopressores), suporte de órgãos, e terapia imunomoduladora com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e corticosteroides, além de monitoramento intensivo em unidade de terapia intensiva pediátrica.

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